Como acompanhar a leitura dos alunos sem aplicar prova
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Os anos de vidro, de Mateus Baldi, reúne onze contos atravessados pela fissura — temporal, afetiva, identitária — em que personagens marcados pela inquietação e pela incompletude tateiam os limites do desejo, do gênero e da linguagem em uma paisagem urbana hostil e em ruínas. Entre um homem surdo confrontado pela violência em um posto de gasolina, uma criança impactada por um linchamento em plena manhã escolar e um narrador que experimenta um vestido preto enquanto evoca memórias de um antigo professor, as histórias revelam afetos desviantes, tensões de classe e pequenas epifanias no cotidiano. As histórias aqui abrigadas, impregnadas de sutis pulsões dissidentes, não oferecem respostas, mas fraturas: fragmentos de existência que recusam o encerramento e expõem a precariedade dos vínculos, a violência cotidiana e a beleza do desvio. Em prosa de apuro poético e alta voltagem emocional, Mateus Baldi desenha corpos e cidades como superfícies rachadas por onde ainda pode vazar alguma verdade.
Mateus Baldi nasceu em 1994, no Rio de Janeiro. Mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, é autora de Formigas no paraíso (Faria e Silva, 2022) e organizadora da antologia Vivo muito vivo: 15 contos inspirados nas canções de Caetano Veloso (José Olympio, 2022).
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