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Literatura Estrangeira

Os 120 Dias de Sodoma

Ou a Escola da Libertinagem

1ª Edição - 2006368 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Cento e vinte dias, seiscentas paixões. Quatro meses de libertinagem, quatro classes de vícios. A cada dia, cinco modalidades, somando cento e cinquenta por mês. Para dar conta dessas cifras, uma comitiva formada por quarenta e seis pessoas, distribuídas em oito categorias distintas, das quais sete pertencem à classe dos súditos. Oito meninos, oito meninas e oito fodedores. Quatro criadas e seis cozinheiras. Quatro esposas. Quatro narradoras. Por fim, na classe dos senhores, os quatro libertinos que sempre merecem designação individualizada: Curval, Durcet, Blangis e o Bispo. A esses números — que apresentam ao leitor “a narrativa mais impura já escrita desde que o mundo existe” —, somam-se outros tantos que servem invariavelmente para precisar, com a maior exatidão possível, as atividades levadas a termo no castelo de Silling. (...) Vale lembrar que, assim como o sexo, os números são inequívocas fontes de prazer no mundo do deboche.   Eliane Robert Moraes, do prefácio desta edição   O romance que o leitor tem em mãos foi objeto de especial estima por parte do marquês de Sade. Tendo dado por perdido o rolo em que o escrevera, ao ser retirado às pressas da Bastilha, às vésperas da Revolução, o autor morreu sem saber que o manuscrito seria mais tarde recuperado, e, finalmente, publicado no início do século XX. A trágica circunstância desse desaparecimento o levou a verter “lágrimas de sangue” conforme suas próprias palavras. Por esse apreço do criador pela criatura, pode-se deduzir o quanto dele está aqui impresso com todas as letras, no limite do fôlego. Maurice Heine, um dos grandes divulgadores da obra sadiana, chegou a afirmar que Sade tentou remediar essa perda em todos os seus escritos posteriores. Ou seja: os despudorados fantasmas de 120 dias de Sodoma rondaram-lhe a mente e a pena até o fim de sua vida. Mas é com o próprio livro, esse “Decamerão” libertino, que o leitor vai se defrontar plenamente nessa nova versão brasileira, rigorosa e afinada com a escrita vertiginosa de seu autor. Um livro incomum, sem dúvida, de leitura perturbadora para muitos, cuja chave mestra talvez seja o humor. A bem da verdade, um humor negro, algo sombrio, genuinamente perverso, e, no limite, absurdo. Todavia, quem vencer as primeiras páginas e dobrar o cabo da tormenta ou desesperança de sua literatura, uma das mais radicais jamais escritas, irá por certo concordar com Georges Bataille. Para ele, o ato de ler Sade – ou melhor, o ato de o reler copiosamente, a fundo, sem preconceitos –, não se faz sem adoçar seu pensamento. Isso não quer dizer que o efeito de sua obra se esvazia com a leitura. Muito pelo contrário. É aí que ela pega. Eis como dourar a pílula, por mais grossa (e aqui escatológica) que seja, para colher as pérolas barrocas que ele dispõe ao leitor de olhos livres e razão de longo alcance. Afinal, é em nome da racionalidade que esse virtuose do pensamento materialista do século XVIII destila à exaustão sua consumada virulência. E o faz em requintado estilo, sempre em nome do ateísmo, em frontal combate a Deus e à religião, mediante o solapamento de todas as instituições humanas, para o bem e para o mal. Assim sendo, este leitor, não necessariamente sadiano, mas agora um tanto escolado nas idiossincrasias de seus castelos e alcovas, poderá então flagrar o homem. Verá então o humano em potência, para além do horror e do grotesco, para além do apelo inelutavelmente abjeto com que esta obra singular se despe e se reveste. Verá o homem no extremo de si mesmo. Ora, para que serve a literatura senão para aproximar nossas lentes do impossível, onde possamos vislumbrar e sondar as infinitas potencialidades humanas? Assim poderemos, quem sabe, avaliar melhor o lobo do homem, uma alcateia inteira que seja, este homem por dentro e por fora levado ao paroxismo nas relações com seus pares e ímpares, este outro que lhe serve de ouro e despojo. Chegaremos possivelmente ao fundo de nós mesmos, vale dizer, já não seremos os mesmos. Talvez assim possamos nos encarar mais de perto, sem terror, nem escândalo, e até sorrir com as extravagâncias, os absurdos e o impossível que chamamos de humano, para não dizer terrível. Ou, em uma aproximação com Nietzsche: o que se desvela nesses 120 dias de Sodoma é o demasiado humano. Contador Borges

Sobre Marques

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade (Paris, 2 de junho de 1740 – Saint-Maurice, 2 de dezembro de 1814) foi um nobre, político revolucionário, filósofo e escritor francês famoso por sua sexualidade libertina. Suas obras incluem romances, contos, peças de teatro, diálogos e tratados políticos. Durante sua vida, alguns deles foram publicados em seu próprio nome, enquanto outros, que Sade negou ter escrito, apareceram anonimamente.

Detalhes do livro

Título
Os 120 Dias de Sodoma
Autor
Marques de Sade
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
368 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573212457
Edição
1ª Edição - 2006
Formato
Brochura

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