Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Ruy Mendes Gonçalves, que foi vice-presidente do conselho de administração do Grupo Saraiva, teve uma participação decisiva na história da companhia. Dirigiu a Saraiva por trinta anos, até deixar o cargo de diretor superintendente, em 2003. Nesse período, a Saraiva passou de uma editora que se encontrava em dificuldades financeiras, com apenas uma livraria em São Paulo, a uma das maiores editoras de livros didáticos e a maior rede de livrarias do Brasil. Com a aquisição da Siciliano, em 2008, a Saraiva possui hoje mais de 4.000 funcionários, com 90 lojas próprias, além do site de comércio eletrônico.Este líder extraordinário revela em O Serelepe como ajudou a empresa quase centenária a adaptar-se aos tempos e crescer com as oportunidades. Isto sem perder os fundamentos de sua cultura, iniciada com a loja de Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva nas vizinhanças da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, as chamadas Arcadas, e a editora inicialmente dedicada aos livros jurídicos - área em que preserva até hoje sua liderança e a base de sua tradiçãoNa autobiografia de Ruy, as lições de administração se misturam às lições de vida e ao relato de outras pessoas que dão à sua história múltiplas faces. Dela emergem tanto a figura do profissional determinado como a do transformador de vidas. No comando da Saraiva, esteve à frente do processo de profissionalização da empresa, da sua conversão em companhia de capital aberto nos moldes contemporâneos e da implantação no Brasil da Mega Store. Cerca de 30% das livrarias da rede seguem hoje o conceito da livraria completa.Ruy fez a companhia atravessar as turbulências econômicas ao longo de décadas e firmar-se como um caso de sucesso de uma empresa brasileira que ganhou impulso mesmo no momento da globalização e do aumento da concorrência internacional. A Saraiva é também hoje paradigma de uma empresa de comando familiar, com uma gestão profissionalizada e cujas ações são negociadas na bolsa de valores.Foi capaz também de mostrar como alguém marcado por dificuldades na infância, decorrentes da perda precoce do pai, pode moldar-se para uma carreira brilhante. Formado em Administração de Empresas, com mestrado pela Fundação Getulio Vargas, juntou à sua vida dedicada ao trabalho certa vocação para a boemia, o temperamento forte e uma franqueza para falar dos assuntos mais difíceis que dão ao seu relato a vivacidade e a emoção de quem lê um verdadeiro romance.O Serelepe é o retrato de um homem inquieto, capaz de se renovar sempre, como revela o motivo final que o levou a deixar suas memórias em livro: o nascimento de Ruy Quintino, que fez dele pai pela quinta vez, aos 73 anos. Assim, com o sucesso nos negócios e o filho recém-nascido, o livro de Ruy ganha contornos de uma grande jornada pessoal. Um retrato da vida como ela é, com um desfecho duplamente feliz, no trabalho e na vida pessoal.
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