Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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“Eu represento todos os pecados que você nunca teve coragem de cometer.” Dorian Gray é um jovem que possui uma beleza deslumbrante e, ao observar seu retrato feito por um pintor, fica obcecado pela própria imagem. Tamanha obsessão causa medo de que sua essência e juventude se percam com o passar dos anos. Então o rapaz deseja que seu retrato envelheça, mas que ele permaneça jovem para sempre. E o desejo de Dorian se torna realidade: ano após ano, apenas o retrato envelhece, acrescentando traços das vilezas de suas ações, enquanto ele mantém sua aparência intacta, sem apresentar qualquer sombra da passagem do tempo. Mas a troca de sua alma pela juventude começa a revelar um lado sombrio, e à medida que ele se entrega a todo tipo de vício e prazer, torna-se também mais cruel e egoísta, com consequências devastadoras. Na época em que foi publicado, o livro desafiou os códigos morais da sociedade vitoriana, que enfatizava a imagem pública e a busca por uma fachada de virtude. A representação do retrato como um espelho da alma, refletindo os efeitos dos atos de Dorian, acrescentou um elemento místico e de mistério à trama intrincada e à prosa brilhante de Wilde, que tornam a obra um clássico universal e atemporal.
OSCAR WILDE (1854-1900) nasceu em Dublin, na Irlanda, filho de um médico e uma escritora. Desde a infância esteve cercado pelos livros. Estudou na Universidade de Oxford, onde começou a carreira literária. Wilde foi poeta, autor e dramaturgo, escreveu várias peças de teatro, incluindo Salomé, O leque de lady Windermere, Uma mulher sem importância, Um marido ideal e A importância de ser prudente, tornando-se um dos dramaturgos de maior sucesso no final da Era Vitoriana, em Londres. Casou-se com a escritora Constance Lloyd, em 1884, com quem teve dois filhos. Em 1895, foi preso por conta do relacionamento com Alfred Douglas, depois de um longo processo que Wilde travava contra o pai do rapaz, e acabou sendo condenado a dois anos de trabalhos forçados. No tempo em que passou na prisão, escreveu o poema A balada do Cárcere de Reading e a carta De profundis. O retrato de Dorian Gray é o seu único romance, e é considerado uma obra-prima, sendo encenado em palcos de todo o mundo e adaptado inúmeras vezes para as telas, cujo personagem, de tamanha complexidade, foi transformado num ser mítico em muitas outras adaptações, como na série de TV Penny Dreadful e no filme A Liga Extraordinária.
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