Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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O que está feito, está feito Encostada no parapeito da cobertura do suntuoso edifício, fincado na encosta da Avenida Paulista, Maria Cláudia vaga o olhar inexpressivo pelo mar de luzes que se estende até o horizonte, marcado por pequenas concentrações de iluminação, revelando os vários municípios que compõem a megalópole de São Paulo. Mulher bonita. Beirava os trinta anos. Cabelos louros, finos, esvoaçados pela brisa que soprava nas alturas dos prédios, naquela madrugada morna. Pele lisa e aveludada da face, resquícios, ainda, de uma adolescência que insistia em não ir embora. Corpo bem-feito, delineando curvas que lhe conferiam toda a beleza e sensualidade da mulher. Esse conjunto natural, no entanto, parecia desarmonioso pela inexpressividade do olhar, entregue à vastidão da cidade iluminada, como se estivesse ausente de si mesma. Esse conjunto natural, no entanto, parecia desarmonioso pela inexpressividade do olhar, entregue à vastidão da cidade iluminada, como se estivesse ausente de si mesma. Não havia alegria naquele olhar, mas, também, não havia tristeza. Refletia um marasmo existencial. Procurava a cobertura do apartamento desde que voltou para a casa dos pais, há quase três meses, após o fim de seu casamento com um amigo da juventude. Não sabia identificar que experiência teve daquela relação, de quase dois anos, senão as lembranças das frenéticas festas e viagens constantes, em cenários de riqueza e agitação, que a impedia de refletir sobre aquela nova fase da vida. Nascida numa família rica, cresceu cercada de proteção. Seus pais temiam a prática banalizada de uma nova onda criminosa, que assustava os habitantes da cidade: os sequestros.
O autor nasceu na cidade de Presidente Prudente, no ano de 1951. Em Presidente Bernardes, onde a família morava, estudou, cresceu e formou todo o seu vínculo social, afetivo e cultural. Aos 20 anos, mudou-se para a capital São Paulo, ingressou na Faculdade de Direito da USP, onde, na conclusão do Curso, especializou-se na área de criminologia e Direito Penal.Exerceu, por 41 anos, a advocacia criminal na comarca da capital, encerrando suas atividades profissionais no ano de 2018. Retomou trabalhos iniciados em oficinas de escrita, que culminaram na conclusão deste romance "O que está feito, está feito"
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