Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Embora se aproxime da forma romanesca, ainda que breve, O PRÍNCIPE DO BOXE, de Fabio Altman, é mais um acerto afetuoso com o passado familiar, a partir de fatos biográficos e memórias compartilhadas. Conta a história incrível de Waldemar Zumbano, um dos pilares da família de pugilistas que deu às luzes do ringue o maior campeão brasileiro de todos os tempos, Éder Jofre. Neno, como era chamado, foi um pugilista comunista (ou comunista pugilista, dependendo da situação). Levantando a folha corrida exemplar do avô, Fabio Altman persegue, com argúcia de repórter e alma de escritor, os feitos notáveis de um esportista e cavalheiro dos punhos que foi preso pela ditadura Vargas, treinou companheiros e carcereiros na cadeia, chefiou os pugilistas da delegação olímpica de 1964 e chegou a ser chamado de “Príncipe” por um dos príncipes da poesia brasileira, entre outras aventuras. Trechos: “A alegria de Éder ao ver a foto com gente da família, como o soar de um gongo ao início de um assalto, parecia dizer o seguinte: agora, sim, estamos em casa. Na intimidade de um clã, os Zumbano-Jofre, que praticamente introduzira o boxe moderno no Brasil, a partir de Mococa, cidade no interior de São Paulo. Logo intuí o que hoje tenho certeza: aquela reportagem com Éder Jofre era só um modo de resgatar a vida do Neno. Era um jeito de lembrá-lo por meio de um recorte do fim de vida do sobrinho famoso, mas que o Brasil insistia em esquecer.” “Rua Dona Germaine Burchard 557. Telefone: 620659. Cinquenta anos depois, ainda sei os números de cor. O Neno atravessava o portão de ferro que dava para a calçada. Abria o segundo portão, envidraçado, e chegava numa outra área, coberta, o chão de cerâmica vermelha estilhaçada, típica dos anos 1970. Ali, de vez em quando, meu pai estacionava o Opala bege. Havia também um piano de armário, mas em muitas noites de sábado virava um ringue de boxe. Era o Luna Park dos três irmãos, o nosso Madison Square Garden, o quintal de Mococa dos primórdios do boxe.”
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