Como criar um clube de leitura na escola (e por que isso muda tudo)
Clubes de leitura escolares aumentam o engajamento, reduzem o abandono da leitura e criam laços entre alunos. Um guia prático para professores que querem montar o seu.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
As redes sociais são a Grande Praga do Mundo. Sério. Um dia – cada vez mais próximo – vamos descobrir todo o mal que causaram, das bolhas em que nos fecharam ao descrédito da verdade e à desmoralização da democracia. As redes sociais amplificaram a voz dos idiotas e trouxeram à luz aquela parte da sociedade que sempre existiu, mas tinha vergonha de expor as suas ideias por perceber o quanto eram mesquinhas. Nas redes sociais, porém, a mesquinharia virou estilo de vida e motivo de orgulho, e triunfou. O mundo seria melhor sem as redes sociais? É possível. Mas, com certeza, o mundo seria pior sem elas. Muito pior. As redes sociais enfraqueceram ditaduras e ampliaram horizontes; serviram para unir pessoas, aprofundar laços de afeto, criar redes de segurança e de amparo. As redes sociais aproximaram antigos amigos, criaram novas amizades e revelaram talentos. Eu odeio as redes sociais — e eu amo as redes sociais. Sem elas, eu não teria conhecido o Cássio Zanatta, e teria perdido incontáveis momentos de alegria, ternura e reflexão. Ele é um mestre da crônica, um grande memorialista e um observador imbatível do cotidiano, capaz de nos contar novidades sobre coisas triviais que já imaginávamos inteiramente decifradas, como a passagem do caminhão de lixo ou o biscoito molhado no café. Ele é um intérprete fiel do que é ser humano no mundo que coube à sua geração: seus hábitos, suas lembranças, suas saudades. Ler o Zanatta é se identificar com certas perplexidades que todos temos, mesmo quando ainda não sabemos disso. Por exemplo, como é possível “entender como se ia a São José com pista simples e carros mequetrefes em duas horas e 45 minutos, e hoje, com estrada duplicada e carros potentes, continua se levando duas horas e 45 minutos”? Nunca fui a São José, mas passei a infância indo a Friburgo, e conheço essa sensação. E também sempre adorei atazanar siris na praia, mas isso já são outros quinhentos, outra crônica. Ler o Zanatta é descobrir quantos sentimentos nos passam pela cabeça a todo instante sem que sejam enunciados; é flutuar na sua escrita tão limpa, e se surpreender com a delicadeza da sua visão. De cachorros a passarinhos, de viagens a telhados, nada escapa à sua observação. Um dia a filha pede carona até a casa de uma amiga que mora na Bela Cintra, exatamente no prédio construído onde, um dia, fora a casa da sua infância. O que seria apenas coincidência virou poesia. Digo isso com um pouco de receio. A poesia, coitada, tem sido incompreendida e mal interpretada, abusada a tal ponto que, quando se diz que um texto de prosa parece poesia, a plateia revira os olhos e espera pelo pior; mas a verdade é que eu não conheço palavra que defina melhor o que ele escreveu: “Filha, você vai pisar no céu da nossa casa. Acima do quintal onde a gente jogou tanta bola, da cama onde meus pais namoravam, da parede onde eu desenhava, escondido atrás da cortina, da escada de onde um dia caí e rolei vinte degraus. Tanto que eu olhei para cima, para o céu sem estrelas e cor de cobre de São Paulo – procurava você lá no alto, andando por cima de tudo o que a gente era?” “O máximo que consegui” é artigo raro, um pacote de inteligência, humor e delicadeza num momento de trevas. Muito obrigada, Cássio Zanatta. É disso que precisamos.
Outros livros de CáSsio Zanatta
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Clubes de leitura escolares aumentam o engajamento, reduzem o abandono da leitura e criam laços entre alunos. Um guia prático para professores que querem montar o seu.
Criar o gosto pela leitura cedo é um dos maiores presentes que um adulto pode dar a uma criança. Uma seleção por faixa etária para acertar na escolha e encantar pequenos e grandes leitores.
O terror literário vai muito além de sustos baratos. Os melhores livros do gênero exploram medos profundos, ansiedade existencial e o que há de pior na natureza humana.
Para escolas, universidades, autores e editoras