Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Logos de palavras e de sensações são a marca de O livro de Zenóbia, primeira obra de ficção de Maria Esther Maciel. Narrativa poética sobre a vida, os pensamentos e as emoções de Zenóbia, o livro tem passagens de intenso lirismo, delicadeza e humor sutil. A subjetividade oblíqua está presente nas descrições da vida amorosa e familiar da personagem, suas recordações da infância, receitas culinárias, listas de flores prediletas, livros de cabeceira e outros exercícios de classificação. Distante do realismo psicológico tradicional, o enredo é dinâmico, em capítulos breves, com influência das técnicas do cinema, em flashes de sensorialismo (“um ramo de folhas secas, um anjo indeciso de gesso e um livro laranja, quase vermelho”).Retrato de uma mulher do interior em sua existência rotineira, O livro de Zenóbia é uma incursão no universo feminino, uma investigação inteligente da sensibilidade, um questionamento dos limites entre realidade e ficção, vivência e imaginário.
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