Como criar um clube de leitura na escola (e por que isso muda tudo)
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Traduzido diretamente do japonês, O lago conta a história do professor Ginpei, atingido pela peculiar obsessão por seguir as mulheres bonitas com que se depara nas ruas. Ele argumenta que, se não o fizesse, esses encontros fortuitos não passariam de episódios efêmeros. Será isso, no entanto, o que move o personagem? Ginpei tem um problema muito particular com o aspecto de seu corpo: seria esse outro fator inconsciente de sua insistente procura por beleza? Contudo, não há inocência nas mulheres escolhidas. Enquanto o protagonista caminha angustiado atrás de uma aluna desafiadora ou de uma beldade que passeia lépida com seu cão, ou até quando, no encalço da amante de um velho rico, é golpeado com uma bolsa cheia de dinheiro, Kawabata não se furta a apresentar os inusitados sentimentos de suas vítimas, tornando a narrativa muitas vezes perturbadora. Essa perseguição de mulheres geralmente jovens ou muito jovens, levada às últimas consequências, conduz o personagem de volta a traumas remotos. O passado retorna, por vezes de forma alucinatória, e não permite trégua à sua mente confusa. Movido por sentimentos de culpa e desejo, Ginpei é bem diferente dos outros personagens do Prêmio Nobel de 1968: o viés contemplativo se subverte em uma natureza épica e doentia. Errante e insólito, ele se esvai em delírios dostoievskianos enquanto se torna cada vez mais excluído socialmente.
Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nasceu em Osaka, em 1899. Após uma infância solitária e sofrida, interessou-se cedo pelos clássicos japoneses, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais da corrente neossensorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem diante do cotidiano, numa composição com tons levemente surreais de elementos de cultura e filosofia do Oriente, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos os seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.
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