Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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este livro arranca-se de um vórtice cujo movimento indiscrimina tempo e guerra. começa, tão logo, com a flagrante atualidade da impotência e a ameaça sempre disponível à vida dos infames e dos vagabundos. arma-se, portanto, como uma armadilha para chronos, deformando esse incorrigível do tempo e do espaço, com o equívoco aliado à escrita, sua dimensão, simultaneamente, combativa e gasta. fantasia de montar um poema entre as imagens mais rechaçadas e esgotamento real dessa fantasia de oposição, dado que sempre é sempre a perigo e o homem ou é aquele que não pode ou aquele que julga poder tudo. como resto, retalhado por cenas de inferno e massacre, manoel ricardo de lima embaralha o que imagina desse diário escrito a muitas mãos, mãos indigentes, mãos canhotas, gauches, sem fama. mãos trabalhadoras, da terra e na terra, que não estão dispostas, entretanto, a abandonar a repetição (lê-se, a escrita da leitura), o inútil de suas revoltas, o sufoco com que atravessam ruínas e miséria, num espaço que só pode assim ser se diferido. paradoxalmente ou não, estes, do viveiro de pobres, povo do abismo, são os mesmos que sabem com o corpo que nada se agarra entre os dedos. que uma assinatura não é mais que a separação de uma intenção. tudo se passa, inconsequentemente, num trabalho serial a misturar paráfrase e deslocamento, oferecendo ao outro o que não se tem, porque nunca se teve ou fora perdido, na língua que também não pertence.
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