Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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O jogo do belo e do feio é um livro tão inesperado quanto bem-vindo na obra do filósofo José Arthur Giannotti. Depois de se debruçar longamente sobre a herança rica e problemática do pensamento marxista em três livros fundamentais, depois de mais um volume inteiro dedicado ao diálogo com o pensamento de Ludwig Wittgenstein, o autor avança para um terreno que o apaixona desde sempre mas sobre o qual jamais escrevera a fundo: a pintura e, por extensão, as belas-artes. Paixão é a palavra certa, pois O jogo do belo e do feio não é um livro de generalidades diletantes, cheio de confissões e opiniões. Muito ao contrário. Com o rigor costumeiro, Giannotti revisita as grandes questões da estética filosófica desde Kant - como o livre jogo das faculdades, o belo e o sublime, a autonomia e a morte da arte -, reformulando-as a partir das noções de jogo de linguagem e linguagem não-verbal, ambas tomadas ao mesmo Wittgenstein. Munido dessas noções, Giannotti discute obras de Magritte, Morandi, Poussin e Rembrandt, colhe testemunhos de pintores como Leonardo e Picasso e polemiza com pensadores contemporâneos. Mas não o faz para estabelecer um sistema fechado das artes ou promover uma tradução filosófica de nossa experiência de espectadores: trata-se aqui de uma nova visão da linguagem da pintura que celebra gloriosa autonomia.
JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI foi professor emérito de filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Cebrap. Pela Companhia das Letras, publicou, entre outros, Apresentação do mundo (1995), Certa herança marxista (2000), O jogo do belo e do feio (2005), Lições de filosofia primeira (2011) e Heidegger/ Wittgenstein (2020). Faleceu em 2021, em São Paulo (SP).
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