Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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A tônica deste livro é a discussão sobre o herói. Para o autor, os heróis clássicos são heróis da classe alta, que procuram demonstrar a "classe" dessa classe. "Classificar" a tragédia e a epopeia como gêneros maiores e ver nos seus heróis apenas o elevado seria desconhecer uma diferença básica entre o herói épico e o herói trágico, bem como uma dinâmica estrutural que se manifesta nas "grandes obras". Ainda que passe por grandes dificuldades e provações, e ainda que venha a constituir boa parte de sua grandeza através de uma série de "baixezas" (matar, mentir, tripudiar cadáveres, enganar e mentir), a narrativa épica clássica, adotando o ponto de vista do herói, trata de metamorfosear a negatividade em positividade, e o herói épico tem, por isso, um percurso fundamentalmente mais pelo elevado do que o herói trágico, cujo percurso é o da queda, da perda de poder. Mas a queda do herói trágico é o que lhe possibilita resplandecer em sua grandeza, assim como as "baixezas" do herói épico é que o "elevam". Kothe reitera que o herói épico e o herói trágico unem em si e em seu percurso as duas pontas do alto e do baixo. Aquiles, o grande guerreiro, é humilhado por Agamêmnon, perde a sua escrava preferida, perde o seu melhor amigo, fica ausente de muitas lutas e se barbariza ao tripudiar o cadáver de Heitor; Odisseu, o astuto, vencedor de Tróia, demora a descobrir o caminho de volta, perde todos os companheiros e troféus nesse percurso, para se recuperar no fim; Édipo, rei ebenfeitor, vê-se transformado em malfeitor e pária social.
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