Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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O Grande Medo nasceu do temor dos “bandidos”, que, por sua vez, explica-se pelas circunstâncias econômicas, sociais e políticas em que se encontrava a França em 1789. No Antigo Regime, a mendicância era uma das pragas do campo. A partir de 1788, o desemprego e o encarecimento dos produtos alimentícios se agravaram. As inúmeras agitações decorrentes da miséria aumentaram a desordem. A crise política também contribuiu, pois, conturbando ainda mais os espíritos, ela tornou os franceses mais impetuosos. Em razão do mendigo, do vagabundo e do amotinado, denunciava-se por todo lado o “bandido”. Se, desde sempre, a época da colheita era de preocupação, ela se tornou, naquele momento, algo terrível. Os alarmes locais se multiplicaram. Neste livro, o autor reconstitui as correntes do medo, enfrentando, no caminho, as causas secundárias, e terminando por alcançar suas origens.
Importante especialista em Revolução Francesa, Georges Lefebvre integra a geração de historiadores franceses que contribuíram para a renovação da historiografia no início do século XX. Lecionou na Universidade de Estrasburgo, onde conheceu Lucien Febvre e Marc Bloch, tendo acompanhado de perto a fundação da revista dos Annales (para alguns, como Ernest Labrousse, a tão falada revolução historiográfica não foi obra de uma dupla de historiadores, mas, considerando Lefebvre, de um trio), e também foi catedrático da Sorbonne. Inegavelmente, foi um dos fundadores de uma história social “vista de baixo”, característica significativa do movimento dos Annales. De convicção socialista (foi influenciado pelo socialista e pacifista Jean Jaurès), Lefebvre tornou-se referência no que se refere à abordagem marxista da Revolução Francesa. Faleceu em Paris, em 28 de agosto de 1959.
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