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Entre o Espetacular e o Ficcional
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Não foram raras as ocasiões em que os estudos da Comunicação aprofundaram o olhar da investigação científica para a memória, já que ela é comunicada coletiva e subjetivamente o tempo todo pelo indivíduo em sua interioridade, pelas diferentes gerações de uma família, pela escola, pela Igreja, pela cidade, pela literatura e pela mídia. Inclusive, o passado de nossa cultura e espécie biológica também é transmitido consciente e inconscientemente, por meio da memória. Sob esse prisma, comunicação e memória existem em razão de considerável reciprocidade. O Fantasma da Memória pretende somar nova perspectiva a essa literatura, ao lançar mão de reflexões pertinentes e atualizadas sobre identidade, morte, eternidade e a contradição que marca o indivíduo contemporâneo. Afinal, ora se difunde uma cultura de amnésia dada à instantaneidade e ao imediatismo do processo massivo de produção e consumo da informação em pleno capitalismo, ora a sociedade se vê acometida por um interesse quase obsessivo por monumentos, museus, registros, rememorações, testemunhos, biografias etc. Ao que tudo indica, há um esforço pungente de espetacularização da memória no convívio social que se expressa, entre outros modos, pela disseminação de espaços dedicados às representações do passado. Contudo, ainda que paradoxalmente, mesmo ante a espetacularização, a memória se destaca por seu poder de autonomia e inovação frente à homogeneização dos discursos memorialistas e – por que não dizer – ficcionais, impostos por relações maniqueístas de poder ou por mera traquinagem do inconsciente. Como se pode inferir, na travessia desta intrigante leitura, emerge o imbricado dualismo “memória versus lembrança”;, no qual se reitera a relação indissociável e simbiótica entre a memória e o viver, já que não somente a memória é vivêcia, mas a vivêcia é em si a própria memória. Amparada por texto fluido e intrigante, a autora deixa transparecer – sem o pudor cartesiano dos cientistas ortodoxos – a densidade antropológica do conceito de comunidade a partir de experiêcia pessoal junto à sua dileta Zona Leste, tornando-se, assim, fonte aos moradores da região e aos que se dedicam a compreender a memória numa perspectiva crítica e complexa.
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