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O Espaço-Entre na ClíNica PsicanalíTica
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O livro O eu, o isso e o nosso: o espaço-entre na clínica psicanalítica tem como principal objetivo aprofundar o estudo da transferência como técnica clínica, desde os primórdios do cuidado com pacientes com psicopatologias graves até os dias atuais. O conceito de transferência tal qual formulado por Freud teria sofrido uma modificação em sua possibilidade de entendimento nos casos não neuróticos, chamados de narcísico-identitários ou borderline. Nesse sentido, estudamos a questão do vínculo analítico em autores que priorizaram a construção de uma clínica que abarcasse tais casos, como Ferenczi, Winnicott e Balint. A proposta clínica desses autores inclui no processo analítico do paciente a contratransferência, e mais, o psiquismo do analista em sua parte mais inconsciente. Em virtude disso, ressaltaram as dificuldades e desafios que essa clínica implica, denunciando a exigência de uma análise profunda do analista para o atendimento desses casos. Porém a inclusão do psiquismo do analista no setting implicaria um entendimento intersubjetivo do enquadre, produzindo uma nova maneira de enxergar a relação analítica e, consequentemente, a técnica. Escolhemos o termo “espaço-entre”, de Hannah Arendt, para nomear tais propostas, pois concluem que é produzido no encontro analítico um outro lugar ou processo, que não é nem do analista nem do paciente, mas dos dois. Esse encontro produziria um inconsciente do vínculo, capaz de gerar trabalho psíquico e produzir efeitos curativos. Assim, descobrimos autores como Thomas Ogden, que propõe a importante teoria do terceiro analítico; o casal Willy e Madeleine Baranger, que acredita na existência de um campo analítico; e René Kaës, que observa a produção de alianças inconscientes e espaços comuns e compartilhados no vínculo analítico. A partir das ideias clínicas propostas por esses autores, utilizamos algumas vinhetas para tentar compreender as suas possíveis implicações prático-técnicas. Por fim, vislumbramos a possibilidade de uma terceira tópica e uma possível metapsicologia do vínculo.
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