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O encontro do dramaturgo, ator e diretor teatral João das Neves com os povos indígenas, intenso e revelador, foi registrado pelo dramaturgo não somente nas peças teatrais. Esta publicação traz três de seus textos produzidos a partir de sua vida no Acre, onde residiu entre 1986 e 1991. Em todos, estão presentes as relações entre as artes cênicas e o universo indígena e o impacto da floresta em sua trajetória. “O Teatro e a Floresta” é um ensaio cujo tema foi tratado por João também em palestras e outras publicações no Brasil, Espanha, Alemanha e México ao longo da década de 1990. “Como os Kaxinawá descobriram o teatro” conta a história de seu primeiro encontro com os Huni Kuin, tal qual aconteceu em Rio Branco, quando ministrava um curso de teatro na cidade. O inédito “Diário de Viagem ao Yurayá” é uma obra que se conecta com a linhagem dos viajantes e, ao mesmo tempo, registra, de maneira profunda e minuciosa, o olhar do artista vivenciando a experiência da floresta e da convivência com o povo Huni Kuin, ao longo de três meses viajando pelo Rio Jordão. O livro tem organização de Titane, Mara Vanessa Fonseca Dutra e Rodrigo Cohen, prefácio de Ailton Krenak, ilustração de capa do coletivo MAKHU – Movimento dos Artistas Huni Kuin e posfácio de Mara Vanessa Fonseca Dutra, com um texto construído a partir de entrevistas com familiares, artistas colaboradores, indígenas, indigenistas e representantes de instituições com as quais o artista interagiu. Uma coedição entre a Relicário e a Associação Campo das Vertentes.
João das Neves (1934 - 2018), diretor e dramaturgo brasileiro, foi contemplado com prêmios diversos como o Molière (vários), Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga e manteve-se em atividade teatral de forma permanente e inovadora. Com o Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores no Rio de Janeiro, em 1964, trabalhou até o fim da ditadura em 1984, buscando novos modelos dramatúrgicos e confrontando a realidade instaurada pelo regime militar. Nas décadas seguintes, João das Neves faria uma série de bem-sucedidas experiências teatrais envolvendo temáticas e situações as mais diferenciadas, como o trabalho com atores não profissionais e várias encenações em espaços não convencionais. Entre 1985 e 1992 viveu no Acre, tendo criado o Grupo Poronga e vivido com indígenas Huni Kuin, tema desta publicação. A partir de 1992 mudou-se para Minas Gerais, onde sua produção teve forte diálogo com o teatro negro, o universo LGBTQIAPN+ e as questões feministas. Os espetáculos realizados em Minas pelo encenador foram registrados no livro “Estado de Arte - João das Neves e Minas Gerais”, lançado em 2022. Ao longo de 6 décadas, João das Neves seguiu refletindo, discutindo, propondo e realizando espetáculos, seminários, concursos, palestras; escrevendo, adaptando, dirigindo, atuando e produzindo no teatro, na música, na poesia e no cinema. Foi um artista com ampla atuação, mas, sobretudo, um homem de teatro.
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