Como criar uma rotina de leitura noturna que substitui o celular
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A Repetição, a Deriva e a Espera na Cidade
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Os textos aqui reunidos tratam de obras fotográficas que se valem do cotidiano das ruas de grandes metrópoles para abordar nossos condicionamentos diários e suas possibilidades de transgressão e ruptura, ao mesmo tempo que interrogam os limites da própria fotografia na contemporaneidade. Na maioria das vezes, essas obras documentam pessoas comuns em situações rotineiras, distantes de um acontecimento marcante ou privilegiado, bem como promovem um instigante jogo entre o familiar e o estranho, por meio de montagens e/ou recursos narrativos que estabelecem um diálogo entre as imagens obtidas e outras formas de arte, como o cinema e o vídeo. Em tal visada, o corriqueiro, o banal, o qualquer de cada dia, transcorre em um tempo que passa de modo simultaneamente disjuntivo e poético, porém complexificado pelos dispositivos utilizados. Trata-se de uma iconografia que não apenas convida seus espectadores a não mais observá-la a uma certa distância e de um determinado ponto de vista, como também frequentemente os incita a habitá-la, isto é, a experimentá-la de modo corpóreo, íntimo e talvez incômodo para quem se quer ancorado na razão, no discernimento ou na clareza, em detrimento do sensível em primeira e em última instâncias. Ao interrogar, de maneira perspicaz, o estatuto da representação na fotografia contemporânea, Victa de Carvalho investiga as condições de possibilidade e de impossibilidade que o cotidiano lhe oferece, trazendo à luz um regime imagético em que se privilegiam os atravessamentos e as relações que se estabelecem entre diferentes reproduções. Sua análise, assim, foca um ponto de inflexão, no qual a atual produção fotográfica, analógica ou digital, reflete tanto os desvios, as inclinações e as variações que estamos experienciando no campo da imagem quanto os modos de perceber e compreender os tempos que regem a cidade.
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