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A Vida de Dom Pedro I: o Grande HeróI Luso-Brasileiro
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O rei, morrendo, oferece seu coração à cidade que o havia salvado. E nada existe mais simbólico nesse rei do que o coração, porque foi um rei apaixonado por seu povo, mulheres, filhos, por suas causas e pela liberdade. Conhecido no Brasil como Imperador Dom Pedro I, não foi um monarca como os outros e até mesmo seus inimigos reconheceram suas virtudes e feitos heroicos: “Tem mania de compor música e escrever Constituições”, disse dele lorde Strangford; “Foi o maior herói das Américas”, escreveu Benjamin Constant; “É louco de atirar pedras”, resumiu o médico austríaco de dona Leopoldina; “Nunca houve rei mais modesto”, concluiu o Marquês de Fronteira, que lutou ao seu lado em Portugal; “Diga a seu povo que ele foi um herói”, resumiu o coronel inglês Hugh Owen. Era um coração surpreendente. Na guerra entre absolutismo e liberalismo, ele, criado no primeiro, optou pelo segundo, tornando-se defensor das liberdades democráticas e, depois de abdicar do trono no Brasil, por elas lutou em sua terra natal: à frente de 7.500 homens, derrotou o irmão Miguel, que tinha um exército de oitenta mil. Neste livro, o coração apaixonado desse rei transborda de sentimentos pelo pai, irmãos, filhos, amigos, por seu povo e suas mulheres – sobretudo duas, Leopoldina e Domitila; “Filho amado, eu mereço o amor que me tens”, escreve ele ao menino Pedro. E ele morre também de paixão aos 36 anos, debilitado pelo sacrifício nas lutas liberais – passou fome, frio e angústia com seu povo – mas também de saudade dos filhos e do Brasil. São diversas as facetas desse rei ainda desconhecidas, muitas mostradas neste livro para que ele receba dos leitores um julgamento justo e seu lugar verdadeiro na nossa história.
Formada em jornalismo em 1965 pela então Universidade do Brasil, Iza Salles começou como repórter no Jornal do Brasil e no Diário de Notícias. Em seguida, foi bolsista do governo francês pela Fondation des Sciences Politiques entre 1966 e 1967. Após retornar ao país, foi presa pela ditadura em 1970, respondendo a processos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Trabalhou nos jornais de resistência Opinião e Pasquim com o nome de Iza Freaza e voltou à Europa em 1977 com nova bolsa de estudos dada pelo Journalistes en Europe. Morou dois anos entre Madri e Paris, e mais de cinco em Roma. Retornou ao Brasil em 1984 como correspondente do jornal Expresso, de Portugal (1981-2003). O Coração do Rei é o seu segundo livro. O primeiro, Um cadáver ao sol, foi publicado em 2005.
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