Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
Comarca de Igarapé-Miri / Pa (1868-1887)
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A escravidão negra no Brasil é um dos grandes temas da nossa historiografia, as pesquisas sobre a temática são inúmeras. Entretanto, mesmo com tantas pesquisas e publicações que analisam a situação do negro enquanto ser humano escravizado na sociedade brasileira, encontramos nessa temática uma fonte inesgotável de possibilidades. As fontes revelam a agência de homens e mulheres escravizados em busca de melhorias para si e os seus pares, almejando a tão sonhada liberdade, seres humanos que não eram meras mercadorias, simplesmente força de trabalho. Eram agentes da História da sua história, e a partir das mais diversas estratégias resistiam ao sistema escravista, tão agentes que o próprio equilíbrio do sistema dependia de constantes ajustes e negociações em meio aos inerentes conflitos, como analisado por João José Reis (1989). Dessa forma, o presente livro investiga comércio interno de escravos na comarca de Igarapé-Miri no período de 1868-1887. Numa perspectiva que considera os cativos negociados como agentes do processo histórico, o texto busca desvelar a dinâmica, o volume e as formas de operação desse comércio a partir dos registros de compra e venda de escravos. Durante a leitura, você terá a oportunidade de conhecer quem eram os trabalhadores escravizados na região de Igarapé-Miri, em que atividades econômicas eram utilizadas. Nesse intuito, foi elaborado um perfil para os cativos que circulavam na localidade, via comércio interno, destacando as idades e o sexo, entre outras características. Os negociantes de escravos tiveram seu perfil também levantado, identificando assim quem eram os indivíduos que operavam no comércio interno de escravos na comarca Igarapé-Miri na segunda metade do século XIX.
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