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ErrâNcias do Corpo na Dança
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“O chamado da queda: Errâncias do corpo na dança” é uma contribuição aos estudos da dança e suas ramificações estética, filosófica e pedagógica que nos convida a pensar a queda como potência e valor através do corpo e do movimento. A investigação explora processos de desconstrução a partir de eixos como o chão, o peso e a gravidade. Sob a lente de um corpo sensível na dança e sua interface com a filosofia, a queda serve como fio condutor que, para além de seu aspecto físico- gravitacional, se dá como um chamado pelo viés da errância — desprovida de cálculo ou determinação. Trata-se de reimaginar a queda como ação não prevista, por chegar ou acontecer, em consonância com a noção de acontecimento de Jacques Derrida. Supõe, também, a queda como desejo pelo desconhecido, na busca pelo que é alheio à apropriação do movimento ou pela desestabilização das formas ideais e do modelo verossimilhante da bailarina frente ao espelho. A pesquisa problematiza aspectos da coreografia ao trazer um corpo que pesa, em contraponto à concepção da bailarina clássica que almeja controle, leveza e ascensão. Nesse sentido, convocar o pensamento de Angel Vianna como proposição de um corpo sensível traz à reflexão perspectivas acerca do acolhimento do peso e da queda como valor, em seus processos pedagógicos e modos de criação. Teóricos como Marie Bardet, Paul Virilio, Ann Cooper Albright, Thereza Rocha, Laurence Louppe, André Lepecki e Jean-Luc Nancy compõem a base do pensamento. Por fim, princípios metodológicos de Angel Vianna são correlacionados à prática territorial do etólogo e poeta Fernand Deligny, cuja noção de linhas de errância contribui na formulação de um agir-dança que vem desafiar o plano coreográfico prévio e codificado. Apoiada na coreografia “Qualquer coisa a gente muda (2010)”, sob a perspectiva de um agir deligniano, a escrita traça de forma analítica e criativa procedimentos coreográficos ao confrontar-se com o corpo do dançarino que, por sua vez, não teme o peso e a queda.
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