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Publicado em 1856, O Antigo Regime e a Revolução constitui a investigação mais sistemática de Alexis de Tocqueville sobre a gênese da França moderna. Longe de ver os eventos de 1789 como uma ruptura absoluta, Tocqueville sustenta que a Revolução só pode ser compreendida à luz das continuidades administrativas e jurídicas que a antecederam. Sua tese é direta: o processo de centralização do poder, consolidado nos últimos séculos do Antigo Regime, preparou as condições que a Revolução não apenas preservou, mas levou adiante. Com rigor documental e fina percepção psicológica, Tocqueville percorre arquivos administrativos, correspondências oficiais e práticas governamentais do século xviii para demonstrar que a monarquia já vinha restringindo autonomias locais, uniformizando procedimentos e subordinando corpos intermediários à autoridade central. Ao abolir privilégios e ordens tradicionais, a Revolução apenas suprimiu os derradeiros entraves corporativos, e, ao dissolver antigas mediações históricas, expôs os indivíduos de modo mais direto ao Estado. O resultado foi um poder central mais simples em sua estrutura, mas incomparavelmente mais amplo em seu alcance.
Alexis-Charles-Henri Clérel de Tocqueville (1805–1859) foi um historiador e analista político francês, filho de uma família nobre, favorecida pelo reinado dos Bourbon e que sobrevivera à Revolução Francesa, mas fora exilada junto com o Rei Charles x depois da Revolução de Julho de 1830; Tocqueville, então com 25 anos, decidiu ficar na França. Pouco tempo depois, a mando do governo, partiu junto de Gustave de Beaumont para os Estados Unidos, incumbido da tarefa de avaliar o sistema prisional da jovem nação americana. Escreveu não só este relatório, como também uma análise político-sociológica de toda aquela nação e de seu povo, que serve até hoje como modelo para as ciências sociais: De la Démocratie en Amérique, publicada em dois volumes (o primeiro, em 1835, e o segundo, em 1840). O livro rendeu-lhe fama e Tocqueville foi um participante ativo e influente da política francesa até 1849, quando se aposentou depois de ter exercido funções como as de deputado e presidente do conselho geral do departamento da Mancha. Morreu em Cannes, de complicações respiratórias.
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