Os melhores livros sobre dinheiro, economia e finanças pessoais
Educação financeira deveria ser matéria escolar. Como não é, estes livros fazem o trabalho, do básico ao avançado, do orçamento doméstico ao mercado global.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Na tela do poeta, as peças se movimentam nos contornos, e dobram-se à luz varada pelo toque úmido dos pincéis. Os poros da pintura, as palavras, na poesia de Aguinaldo Gonçalves, se tramam como serpentes, procurando, na memória da tela, os degraus para o esquecimento, essa viagem cuja poesia alcança os mais sutis laivos do desejo. Assim como um Daimon, a poesia adentra o corpo do sujeito: “Um sol emergiu no alto de minha cabeça / E foi penetrando para dentro de meu corpo”; “Tornei-me sol em plena meia-noite”; “Um sol rasante e sonolento / Dominou meu corpo inteiro”. O que é o corpo senão essa esfera tardia do esquecimento? Como recompor das sobras e dos escombros o corpo que se percebe, agora, um prisma? Por qual viés debulhar a matéria alquímica que se dispersa até encontrar seu poder de forma? O retrato do sujeito, sua identidade íntima, confunde-se com a poesia que se procura num processo crítico de autodevoração. Na dança prismática do signo poético, o método é proposto: é do âmbito das artes plásticas, especialmente pelo viés da bricolagem, que a poesia se ergue como um gesto de renúncia ao esquecimento. E eis aqui o paradoxo maior: à medida que avança, o acaso encontra Drummond no olhar que mira o bule vermelho, a ecoar no seu silêncio de ágata descamada a navalha do tempo. A resistência à dissipação é fruto da consciência dos degraus que vai tecendo a poesia rumo ao esquecimento. A poesia resiste porque se nutre da forma que devora, como um Eros esfaimado, que sabe tecer com sua sedutora beleza os filamentos da retina que mira os pombos de Valéry, a vasculhar migalhas e vestígios da memória: “posta ao acaso gera forma / E desta forma se revela”. O que deseja o corpo do sujeito a não ser a visão perdida no desequilíbrio das molduras vivas como “pedaços de vida”? [Susanna Busato]
Livre-docência pela UNESP (1997). Doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada), pela Universidade de São Paulo (1988). Graduação em Letras, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras São José do Rio Preto/ SP (1972). É poeta, escritor crítico de arte, teórico na área da Literatura e outros sistemas. Publica em áreas diversas da Literatura, com ênfase na Intersemiótica, nas relações homológicas entre palavra e imagem. Professor titular da UNESP e da PUC Goiás, atuando nos cursos de Mestrado e Doutorado em ambas instituições. Palestrante e conferencista nacional e internacional de temas abrangentes: literaturas e artes, entre outros.
Outros livros de Aguinaldo Jose GonçAlves
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Educação financeira deveria ser matéria escolar. Como não é, estes livros fazem o trabalho, do básico ao avançado, do orçamento doméstico ao mercado global.
Se você quer entrar no mundo da ficção mas não sabe por onde começar, esta lista é para você. Selecionamos livros envolventes, acessíveis e impossíveis de largar.
A literatura africana vive um momento extraordinário. De Chimamanda a Mia Couto, autores do continente estão entre os mais premiados e relevantes da atualidade.
Para escolas, universidades, autores e editoras