Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Tudo começou numa viagem pelo interior do Japão. Eu, encantada, escrevia pra casa para dar notícias e passei a escrever também a uma amiga que morava em Tóquio. Achando graça do meu entusiasmo, ela dividia os textos com seus familiares para rir um pouco da paixonite aguda desta valquíria gaúcha pelos delicados e sutis japoneses. A viagem acabou, mas a família dela, – meio japonesa, meio brasileira –, continuou a pedir mais. E assim fui contando mais de tudo o que ia me despertando paixões pela vida. Inventei de fazer longas peregrinações sozinha pelo Oriente; de encarar uma cavalgada no Marrocos com mais duas mulheres; de me enfiar na F1 até rasgar os fundilhos das calças; de experimentar massagens por onde andasse; de não ter limites entre os bichos e eu; de guardar em mim o cheiro, o barulho e o sol na minha pele de criança… e fui inventando moda por mais que meus pais me pedissem: não inventa, Mariana! Mas eu invento, e eles gostam.
50 anos por fora, outras várias idades por dentro. Jornalista por fora, outras várias profissões por dentro. Brasileira por fora, outras várias nacionalidades por dentro. Viajante, por fora e por dentro. A trabalho, fui de Fla-Flu a um torneio de drag queens no subúrbio do Rio; vi finais olímpicas, uma F1 transformada e entrevistei de Pelé à única filha de Lampião. Acompanhei a adolescente Maya Gabeira virar gigante em Nazaré. Descrevi o terror na França. Naveguei pela costa da Groenlândia e me encantei com a Ilha de Páscoa ao lado do velejador Beto Pandiani. Já me quebrei bastante e me costurei bastante, mas o coração segue inteiro.
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