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A guerra entre o papel e a tela não tem um vencedor único, depende do leitor e do contexto. Conheça os prós e contras de cada formato e como tirar o melhor dos dois.
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Tomando como ponto de partida o Didascalicon de Hugo de São Vítor, Ivan Illich narra um século de profunda transição na história da leitura. O autor concentra-se num momento decisivo, por volta de 1150, quando inovações gráficas (como índices, capítulos e ordenação alfabética) transformaram a página: de uma “partitura” lida em voz alta por devotos, ela passou a ser um "texto" organizado visualmente para pensadores lógicos. Essa mudança, ocorrida três séculos antes da invenção da imprensa, é apontada como a verdadeira base da cultura livresca ocidental. Acompanhando a transição da leitura monástica — murmurada, ascética e focada na busca espiritual e no autoconhecimento — para a leitura escolástica — silenciosa, profissional e voltada à consulta —, Illich argumenta que foi essa revolução medieval, e não a tipografia móvel, que criou o "texto livresco": um objeto abstrato que se desprende da página física, e passa a moldar tanto a mente quanto as novas instituições do saber.
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Ivan Illich (1926–2002) foi um filósofo, teólogo e padre austríaco, amplamente conhecido por suas análises radicais sobre o impacto nocivo das instituições modernas na autonomia humana. Nascido em Viena e educado na Itália, Illich foi ordenado sacerdote em 1951 e realizou um intenso trabalho pastoral nas Américas antes de fundar, em 1961, o Centro Intercultural de Documentação (CIDOC) no México. Em obras de grande repercussão internacional, como Sociedade sem escolas (1971), A ferramenta da convivialidade (1973) e A Nêmesis da medicina (1975), ele combateu a excessiva institucionalização da educação, da medicina e da tecnologia. Afastado do sacerdócio ativo após fortes divergências com o Vaticano, dedicou as últimas décadas de sua vida ao ensino universitário entre os Estados Unidos e a Alemanha.
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