Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Moscou feliz é uma novela icônica do escritor soviético Andrei Platónov, inédita em português. O título é uma referência à personagem principal, Moscou Tchestnova, uma jovem órfã, criada pela revolução, que sonha em se tornar paraquedista. A protagonista encarna a promessa eufórica de um tempo em que os filhos do proletariado acreditavam ser possível construir o futuro com as próprias mãos, em meio a uma sociedade de alta inovação técnica e científica. A personagem e sua história se confundem com a da própria União Soviética. Uma jovem mulher que acredita poder seguir seus desejos, relacionar-se livremente e escolher a profissão que quiser, mas que se depara com os desafios e limites que a impedem de encontrar a plenitude prometida. Inédito e censurado por Stálin durante a vida de Platónov, o romance atravessa décadas e estilos, e revela tanto o entusiasmo juvenil do autor dos anos 1920 como sua amarga lucidez diante do fracasso do ideal socialista de 1930. Misturando lirismo e ironia, Moscou feliz é um retrato assombroso da cidade e de uma geração que acreditou poder reinventar o mundo. Traduzido do russo por Letícia Mei “Plato´nov e´, com certeza, o mais brilhante prosador russo do se´culo vinte, porque na~o ha´ nada parecido com ele. Em cada uma de suas pa´ginas ha´ tamanha profusa~o de sensac¸o~es, e tantas camadas sobrepostas de literatura russa, que so´ de le^-lo a pessoa desenvolve novos o´rga~os sensoriais”. — Joseph Brodsky Górki teria dito a Platónov certa vez: “Você nunca conseguirá publicar, porque em tudo que você escreve há algo anárquico, algo que é evidentemente central em seu estilo: você retrata a realidade sob uma luz farsesca que é inaceitável. Apesar do carinho que sente pelos personagens, eles surgem satirizados aos olhos do leitor: não como revolucionários, mas como delirantes, crédulos, tontos, possuídos”.
ANDREI PLATÓNOV nasceu na periferia de Voronej, Rússia, em 1899. Vindo de uma família da classe trabalhadora, foi operário antes de graduar-se engenheiro elétrico. Comprometido com os ideais da Revolução de 1917, participou de projetos de desenvolvimento tecnológico no início da União Soviética. Seus textos literários e ensaios, no entanto, marcavam um deslocamento crítico e irônico diante da burocracia e da ideologia soviética, o que lhe custou a censura e sua carreira como escritor. Morreu de tuberculose em 1951. Entre suas principais obras estão Tchevengur (1929), A escavação (1930), Dzhan (1935) e O rio Potudan (1937), além de contos e novelas, como esta Moscou feliz, todas elas publicadas postumamente.
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