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: Alemanha, 1940. Quando seu único filho morre na guerra lutando pelo Führer, Otto e Anna Quangel decidem que não podem mais viver como se nada estivesse acontecendo. Se eles já não simpatizavam com os rumos do país, os privilégios dos membros do partido, o constante medo da vigilância de cidadão por cidadão, os abusos de autoridade e os boatos de horrores inimagináveis, eles agora decidem agir. A partir da história real de um casal de operários e sua inabalável coragem e resistência, Hans Fallada compõe, em forma de thriller, um retrato objetivo e cru dos horrores da vida sob a ditadura nazista. Entre trabalhadores, marginais, pequenos tiranos, acusados e acusadores, o autor apresenta os tipos de uma Berlim sitiada, sufocada pelo vício e pelo medo, mas também marcada pela esperança. Um fenômeno de vendas após sua primeira tradução para o inglês em 2009, Morrer sozinho em Berlim, publicado originalmente em 1947, é um clássico da literatura alemã, escrito por um dos mais populares autores do país no século XX.
Rudolf Ditzen nasceu em Greifswald, Alemanha, em 1893. Teve uma infância e juventude difíceis, talvez sequela de conflitos na relação com o pai, juiz num tribunal supremo em Leipzig. Aos dezoito anos, feriu-se gravemente e matou um colega em uma tentativa de duplo suicídio falseada como duelo, incidente que causou sua primeira internação psiquiátrica. Em 1920, assumiu o pseudônimo Hans Fallada, em referência a contos dos irmãos Grimm. Trabalhou com jornalismo e publicidade até despontar no mundo literário com a novela Bauern, Bonzen und Bomben [Lavradores, caciques e bombas], no início da década de 1930. O romance E agora, seu moço? (Livraria do Globo, 1934), narrando a condição miserável da Alemanha antes da ascensão de Hitler, teve rápido sucesso mundial (virou filme de Hollywood) e tornou-o um dos mais populares escritores de seu tempo. Sua vida foi marcada pelo vício em álcool e morfina, internações constantes e uma relação complicada com a ditadura vigente. Preso em um manicômio nazista e listado como “indesejável”pelo regime, Fallada aceitou o “convite” do ministro Joseph Goebbels de escrever um romance antissemita. Em vez de cumprir o acordo, usou a cota de papel para escrever O bebum (no prelo pela Estação Liberdade), relato autobiográfico e crítico sobre o Terceiro Reich. Já com a saúde comprometida, escreveu Morrer sozinho em Berlim em menos de um mês e faleceu pouco depois, em fevereiro de 1947, semanas antes da publicação da obra.
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