Os melhores livros de ficção para quem quer começar a ler
Se você quer entrar no mundo da ficção mas não sabe por onde começar, esta lista é para você. Selecionamos livros envolventes, acessíveis e impossíveis de largar.
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Dizer “quero viver a vida” é dizer algo estranho. O que você faz? “Eu vivo a vida”. A vida por viver. Estou vivendo minha vida. Algo não bate bem em frases como essas. Há, como sabemos, verbos intransitivos. Neste caso, o que é intransitivo é a vida, não o verbo. Podemos viver uma experiência, viver um grande amor, viver uma decepção. Mas não podemos viver a vida. Porque a vida nos escapa, sempre. A vida é inacessível, assim como o corpo (lá, onde a vida se dá). Podemos viver, sem dúvida, mas não a vida. Por isso toda vida vivida é artifício. Toda vida escrita (e não há outra, para nós) é uma farsa. Nossa vida pode ser tudo, menos exatamente, avidamente, aquilo que mais gostaríamos que fosse: a Vida.
Renato Rezende (São Paulo, 1964) estreou na poesia com Passagem (João Scortecci, 1991), seguido por Aura (2AB, 1997), Asa (Velocípede, 1999), Leaves of Paradise (100 editores, 2000), Passeio (Record, 2001 – bolsa da Biblioteca Nacional para obra em formação), Ímpar (Lamparina, 2005 –prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional) e Noiva (Azougue, 2008). Ímpar foi publicado na íntegra na Argentina (Gog y Magog, 2016) e em forma de antologia na Espanha (Ímpar y otros poemas, Andantes, 2023). Como artista visual trabalhando a poesiaexpandida, é autor das instalações e intervenções urbanas Eu posso perfeitamente mastigar abelhas vivas (Projeto Poesia Visual – Oi Futuro, 2010), MY HEART IN RIO (Oi Futuro, 2011) e S.O.S. POESIA (Museu de Arte do Rio – MAR, 2015) e do espetáculo musical Noiva – esboço de uma ópera (com Arman do Lobo). Também é autor dos romances Almirante (Circuito, 2011), Caroço (Azougue, 2012) e Auréola (Circuito, 2013), e do ensaios No contemporâneo: arte e escritura expandidas (com Roberto Corrêa dos Santos, Circuito, 2011), Poesia e vídeoarte (com Katia Maciel, Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais, Circuito, 2012), Poesia brasileira contemporânea – crítica e política (Azougue, 2014), Trauma / arte contemporânea brasileira (com Juliana de Moraes Monteiro, Circuito, 2020) e Poesia Neoconcreta (com Sergio Cohn e Luiz Guilherme Barbosa, Revista de Cultura, 2021), além do livro de memórias e resenhas Folia carioca – arte, literatura e vida no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do novo século (Circuito, 2021). Renato Rezende também é tradutor, editor e curador independente.
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