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Ciências Humanas

Mineração, Genealogia do Desastre

O Extrativismo na AméRica Como Origem da Modernidade

1ª Edição - 2020324 páginasElefante Editorapt
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Sinopse

Esta obra não é um livro de história. É um ensaio histórico-sociológico que pretende colocar na mesa dos debates uma tese sobre o lugar e o papel da mineração moderno-colonial na posterior configuração do projeto civilizatório hegemônico, que dá forma à vida social contemporânea. Nossa tese afirma, de maneira simples, que a mineração moderno-colonial foi o detonante fundamental do Capitaloceno. Aqui se procura demonstrar como esse tipo histórico de exploração das "riquezas" minerais da Terra, nascido do empreendimento da invasão e da conquista colonial do "Novo Mundo", desencadeou e motorizou toda uma série de grandes deslocamentos geológicos e antropológicos que desembocaram na grande crise ecológico-civilizatória que hoje paira sobre nossa Mãe Terra e, especificamente, sobre nossa comunidade biológica, os humanos. A invasão, conquista e colonização — primeiro, da América e, logo, do mundo inteiro — tiveram na sede pelo ouro a força motriz e o sentido-mor de sua existência, e na eficácia letal do chumbo e do ferro, o meio indispensável de sua realização. Essa perversa liga de metais — a violência a serviço da cobiça — é o que, em definitivo, desde o século XVI, forja as bases materiais e simbólicas do regime de dominação hegemônico moderno. […] Desde que a primeira edição deste livro foi publicada, em 2013, uma grande quantidade de acontecimentos se deu no panorama da mineração transnacional na América Latina. Fatos não apenas importantes e graves, mas fatos no sentido de toda a densidade política que esse termo expressa. É o caso evidente do incomensurável crime massivo da Samarco no Vale do Rio Doce, no Brasil. E de crimes dirigidos a pessoas, como o assassinato de Berta Cáceres e a tentativa contra Gustavo Castro Soto, em Honduras; ou o assédio e a perseguição policial-judicial a Máxima Acuña, no Peru. Houve ainda mortos e feridos "ao acaso", como nas violentas repressões das greves contra a mineradora Tintaya Marquiri, no Peru. Eu poderia mencionar os sucessivos vazamentos de milhões de litros de água cianetada pela Barrick Gold, em San Juan, no leste da Argentina; os quarenta mil litros de ácido sulfúrico nos rios Baranuchi e Sonora, no México; a contaminação dos mananciais que abastecem a população de Santo Antônio do Grama, em Minas Gerais, pela ruptura de um mineroduto da Anglo American; e tantos outros crimes contra a natureza que, no jargão mineiro, são apresentados como "acidentes". […] Assim, na atualidade como na origem, a mineração — a mineração colonial moderna — segue como a veia aberta mais lacerante e sangrenta, em nossa entidade histórico-geopolítica chamada de "América Latina", mas também para além, em todo o Sul global. Esta história é uma história escrita por rastros cada vez maiores de sangue. Seus grandes feitos vão de massacre em massacre. Seus "avanços tecnológicos" são, na verdade, o aperfeiçoamento da arte da guerra, o uso eficaz da violência; o incremento na intensidade e na capacidade de controle, apropriação, extração e trituração das energias vitais, de montanhas, paisagens, corpos de água, biodiversidade.

Detalhes do livro

Título
Mineração, Genealogia do Desastre
Autor
Horacio Machado AraóZ
Editora
Elefante Editora
Ano
2026
Páginas
324 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788593115462
Edição
1ª Edição - 2020
Formato
Brochura

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