Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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A trajetória de um dos mais influentes líderes indígenas contemporâneos, registrada em suas próprias palavras. Em Memórias do cacique , Raoni tece sua concepção sobre a vida, a floresta e o mundo atual e compartilha de maneira única a cultura, a cosmologia e a luta do povo M?bêngôkre. Ropni, aportuguesado como Raoni, pertence ao povo M?tyktire-M?bêngôkre, também conhecidos como Kayapó e Txukarramãe. Cacique, pajé e cuidador de seu povo, tornou-se uma liderança que conheceu o mundo dos brancos, fez alianças pessoais e políticas, dentro e fora do Brasil, e formou uma visão de mundo própria, em que mito e história convergem, revelando a complexidade do pensamento originário. O livro foi construído a partir de entrevistas inéditas realizadas pelos tabdjwy de Raoni, seus netos, entre 2020 e 2023. Falando sempre em m?bêngôkre, e rodeado de parentes, Raoni gravou durante dezenas de horas, em diversas sessões, as histórias e mitos que resultaram neste relato. O material foi traduzido para o português por meio de um trabalho meticuloso e extenso de uma equipe de tradutores Mêbêngôkre, sob a coordenação do antropólogo Fernando Niemeyer, que também supervisionou a redação e edição do manuscrito. As memórias do cacique nos convidam a enxergar a história do Brasil pela perspectiva daqueles que sempre habitaram estas terras, que testemunharam a chegada dos invasores e que, desde então, elaboram estratégias de resistência. É a perspectiva daqueles que veem a floresta — rica, viva e repleta de espíritos — como seu principal meio de existência e que lutam por ela como um ato de esperança para o futuro. “Me comovo quando penso em Raoni, herói mítico do panteão dos guerreiros, líder da resistência nativa no continente americano com quem temos a oportunidade de conviver, alguém de cuja luta podemos ser testemunhas.” — Ailton Krenak
RAONI M?TYKTIRE nasceu em 1937, na região do Kapôt, norte do Mato Grosso. Pertence ao povo que se autodenomina M?bêngôkre, também muito conhecido como Kayapó. Tornou-se intermediário entre seu povo e os brancos em viagens dentro e fora do Brasil para reivindicar seus interesses coletivos e buscar alianças e recursos. Com atuação emblemática na arena política, teve importância decisiva na demarcação de vários territórios e na conquista de direitos indígenas a partir da década de 1970.
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