"É janeiro outra vez."
A literatura de Ruth Guimarães aflora todos os nossos sentidos, mas tem cheiro de terra. E é como cronista que esse cheiro exala com mais força. Não apenas pela própria narrativa que esse gênero propõe, mas pela capacidade de Ruth ser uma "observadora-vivente", de ver o outro sem máscaras e de se deixar ver.
As crônicas reunidas neste livro nos trazem o Brasil visto, escrito, vivido por uma mulher que pertence a si mesma e aos seus filhos, que não recusa suas raízes e que faz da literatura a sua própria potência. Ruth nos apresenta um país com rostos, nomes, cores, línguas, preces e dilemas, não aquele do mapa, dos livros de história e dos cartões postais.
Ruth escreve o que vê, o que sente, o que pesquisa, o que vive.
O Brasil de uma mulher negra, pobre, professora, escritora, caipira…
Marinheira no mundo pela sua literatura…
Sobre Ruth
Ruth Guimarães se apresenta assim: “Mulher, negra, pobre e caipira”. Desconsiderando a sua preferência de assim ser apresentada, à sua credencial acrescenta-se também: romancista, contista, tradutora, ensaísta, poetisa, folclorista, professora, jornalista e pesquisadora da cultura popular. Ruth deixou mais de 50 livros, entre romances, contos, ensaios e traduções. Ela também escreveu poesias e peças de teatro e foi folclorista, pesquisadora da cultura popular, professora e jornalista, contribuindo com críticas literárias, crônicas e reportagens para diversos jornais. Tradutora de grandes autores clássicos, como Dostoiévski e Balzac, Ruth redigiu uma enciclopédia de mitologia grega, adotada em muitas faculdades ao mesmo tempo em que passeava com facilidade pelos contos populares, pelas histórias do folclore e pela cultura caipira. A sua literatura nasce da sua própria vivência no universo rural e caipira retratado em suas próprias obras. As histórias da tradição oral, reunidas durante a infância no Sul de Minas e Vale do Paraíba inspiraram, em grande parte, sua carreira como escritora.