Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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Em 'A Maldição de Ondina' o leitor encontrará uma África humilhada por cinco séculos de dominação colonialista, onde oprimidos e opressores não podem esquecer a condição em que vivem, sob o risco de desaparecerem. Eis a grande questão, já contida no título: a situação de um país (Moçambique, onde se ambienta a narrativa) subjugado aos seus fantasmas, que, à maneira dos golfinhos (mamíferos que não podem jamais dormir profundamente, já que para sobreviver necessitam vir à tona de cinco em cinco minutos a fim de respirar), não pode esquecer o passado, essa assombração que vai aonde quer que se vá. O leitor brasileiro facilmente se sentirá transportado para dentro das páginas deste romance-metáfora, reconhecendo de imediato essas figuras ambíguas e degradadas que se movimentam no xadrez da política, pois, lá como aqui, o luminoso futuro tantas vezes anunciado pela ideologia já parece tão improvável quanto a volta ao passado, e não há lugar para os que dormem nem para os fracos. Nas páginas de 'A Maldição de Ondina' o leitor encontrará vestígios da "vivência maturada" (não apenas livresca) de um escritor - o poeta, jornalista e roteirista de cinema António Cabrita - que abdicou da segurança de sua terra de origem (Almada, Portugal, onde nasceu em 1959) e lançou-se na arriscada aventura em plagas de Moçambique, onde vive há seis anos, num "auto exílio" que lhe permitiu compreender a "situação entre" dos indivíduos desarraigados da terra sagrada de seus pais.
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