Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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“O novo modo do eterno consiste em passar”, escreve Jacques Rancière, a certa altura deste livro. E prossegue: “Se a eternidade não faz senão passar [...] a forma é forma de uma pura passagem e é, ao mesmo tempo, momento de uma história das formas”. Estas são apenas duas formulações luminosas do pensamento deste que é um dos mais agudos filósofos contemporâneos, dos raros capazes de pensar o mundo a partir da experiência estética, e não contra ou fora dela. Em Mal-estar na estética , publicado na França em 2004, na esteira de A partilha do sensível , livro que deslocou de forma profundamente inovadora o debate sobre as relações entre estética e política, Rancière se contrapõe a algumas das principais correntes críticas das últimas décadas (particularmente, às teorias de Alain Badiou e Jean-François Lyotard) ao mesmo tempo em que aprofunda suas investigações sobre o que constitui uma obra de arte e que relações esta entretém com o conjunto da vida social. Neste, como em outros livros do autor, salta à vista sua capacidade de pensar a política em estreita conexão com as artes, pois — como ele observa na apresentação escrita especialmente para a edição brasileira — o que o termo “estética” designa não é uma fruição elitista, mas “uma promessa de comunidade”, compartilhada por todos os humanos. Coedição com a Editora PUC-Rio
Considerado um dos maiores intelectuais franceses da atualidade, Jacques Rancière nasceu em Argel, em 1940, e é Professor Emérito de Estética e Política da Universidade de Paris VIII — Vincennes/Saint-Denis, onde lecionou de 1969 a 2000. Entre seus livros destacam-se A lição de Althusser (1975), A noite dos proletários (1981), O mestre ignorante (1987), Os nomes da história (1992), O desentendimento (1995), A partilha do sensível (2000), O inconsciente estético (2001), Aisthesis: cenas do regime estético da arte (2011) e As margens da ficção (2017).
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