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Rabiscos, Collages e Guaches Surrealistas
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Imagens marcadas pelo movimento de exploração dos devaneios, associação livre de elementos de natureza distintas, estudos estéticos do pensamento metafísico, amostra de exercícios de navegação pelo inconsciente por meio do automatismo psíquico – nas mãos de Michael Löwy, pensador marxista, ecossocialista e surrealista radicado na França, conceitos filosóficos ganham forma de quimeras no papel em traços marcados, acima de tudo, pela espontaneidade. Em Luz negra: rabiscos, collages e guaches surrealistas as edições 100/cabeças apresentam pela primeira vez o trabalho visual de Löwy. “São collages, desenhos e pinturas criadas quando o espírito surrealista intervém, toma automaticamente a mão do artista e faz com que ele amplie a realidade a partir dos seus desejos” destacam Alex Januário e Elvio Fernandes na apresentação do livro. Para Löwy, essa prática alquímica acontece na passividade de pausas que se dão no interstício entre o voluntário e o involuntário, geralmente durante reuniões políticas enquanto toma notas no papel. Assim, “num certo momento, inconscientemente (?), começo a rabiscar monstros e quimeras em cima do texto supostamente sério”, escreve o autor a respeito dos rabiscos filosóficos, demônios do pensamento insurgente, apresentados na primeira parte da publicação. O exercício surrealista que conduz as investigações visuais de Löwy envereda também para o terreno da collage, equivalente à linguagem e à imagem poética dos surrealistas, na definição de Max Ernst. São várias as formas e suportes empregados pelo autor ao transfigurar a realidade por via dessa prática.
Michael Löwy (São Paulo, 1938) é diretor emérito de pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris. Em 1960, licenciou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e doutorou-se pela Sorbonne no ano de 1964, sob a orientação de Lucien Goldman. O caráter internacionalista de sua visão insurgente e poética da vida começa a se revelar a partir de 1958, quando vai a Paris e, por meio de Paulo Emílio Sales Gomes, estabelece contato com o poeta surrealista Benjamin Péret. A potência desse encontro marcaria profundamente o seu pensamento. Possui obras importantes sobre autores como Marx, Trotsky, Lukács e Walter Benjamin, além de ter se debruçado profundamente sobre as relações entre o surrealismo e o romantismo. Michael Löwy é um dos membros mais atuantes junto ao Grupo do Movimento Surrealista de Paris.
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