Parou de ler? Como retomar o hábito de leitura sem culpa
Todo leitor passa por períodos de seca. A diferença está em como você volta. Estratégias testadas para sair do bloqueio literário e reencontrar o prazer de ler.
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Entre o final dos anos 1940 e a primeira metade dos anos 1950, o Rio de Janeiro era a capital do Carnaval no Brasil. Os salões eram frequentados pela nata da sociedade, por estrelas de Hollywood e por todos aqueles que queriam se entregar ao profano sob o reinado de Momo. Mas ninguém superava uma figura: Luz del Fuego. O alter ego de Dora Vivacqua, uma moça nascida na provinciana Cachoeiro de Itapemirim (ES), era, sem sombra de dúvidas, a presença mais aguardada na entrada dos grandes bailes da época. Nem as maiores personalidades estrangeiras, nem os políticos poderosos ou socialites que estampavam as colunas sociais da época superavam a apoteose que era a aparição de Luz del Fuego, seminua, envolta por uma cobra. Figura mítica, atriz do teatro de revista, modelo e ativista avant la lettre, ela superou barreiras e enfrentou o conservadorismo brasileiro em prol da liberdade do seu corpo e de sua arte. “Por que não simplificar as leis para aproveitar melhor os pequenos grandes prazeres que nos são concedidos a muito curto prazo? Para a fome, temos o pão; para a sede, a água; para a imoralidade, a nudez.” Com essas palavras, Luz del Fuego alçou voos inimagináveis e chegou aonde sempre quis estar: no topo. E como se a subversão do corpo já não fosse uma grande luta, Luz del Fuego também rompeu outras barreiras: criou a primeira comunidade naturista brasileira, conhecida como ilha do Sol; montou um partido político; viveu abertamente a sua pansexualidade e defendeu o que hoje chamamos de direitos LGBTQIA+ e as causas ambientais. Neste livro, Javier Montes narra, com o tanto de ficção que Del Fuego merece, a vida dessa personagem ímpar de nossa história. Como disse Rita Cadillac no texto de orelha do livro: “Que toda mulher possa ter um pouquinho da alma de Luz del Fuego, que lutou com determinação e garra por aquilo que acreditava, que nunca se dobrou a qualquer mando masculino”.
JAVIER MONTES nasceu em Madri, em 1976. Publicou dez livros e diversos ensaios. Foi mencionado pela revista Granta na lista Os melhores escritores jovens de língua espanhola e recebeu os prêmios Anagrama e Eccles da British Library/Hay Festival. Colabora com publicações como Granta, El País, Artforum e Literary Hub. Viveu no Rio de Janeiro e dessa experiência nasceram Luz del Fuego e seu antecessor Varados en Rio, que fazem parte de uma trilogia em construção sobre o Brasil moderno.
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