Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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“Estar sozinha, viver interiormente para si, era para mim uma necessidade tão imperativa quanto o contato e o calor humano. Ambas necessidades muito fortes e apaixonadas, mas separadas e sujeitas à mudança e à alternância, e é justamente isso o que parece infidelidade e inconstância.” Romancista, ensaísta e psicanalista, Lou Andreas-Salomé (1861-1937) foi acima de tudo um espírito livre. Aos vinte anos, ela começa uma amizade filosófica com Nietzsche e brinca com o fogo de seu amor. Aos trinta, companheira do poeta Rainer Maria Rilke, guia-o no caminho da criação e foge de sua paixão. Aos quarenta, é acolhida por Freud como sua discípula mais brilhante. Mulher entre homens, ela sonha com um “mundo de irmãos”, de casamento sem sexualidade, de maternidade sem procriação, de inconsciente sem instintos destrutivos. Filosofia, poesia e psicanálise são os instrumentos da única afirmação que interessa a essa provocante mulher: o laço indissolúvel do indivíduo com a vida como um todo.
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