Em uma trama linear, repleta de metáforas sobre a condição humana, Joseph Conrad versa toda a sua perícia náutica ao relatar a história de um jovem marinheiro que, após tomar a decisão de abandonar a vida no mar, recebe pela primeira vez uma proposta de comandar um navio mercantil. A narrativa apresenta, em meio a adversidades com o clima, doenças tropicais e uma possível imprecação do falecido capitão, um rito de passagem, da juventude à maturidade , no qual atos de lealdade e honradez prevalecem em detrimento de antigos valores
Sobre Joseph
Conrad foi educado na Polónia ocupada pela Rússia. O seu pai, um aristocrata empobrecido de Nalecz, foi escritor e militante armado, sendo preso pelas suas atividades contra os ocupantes russos e condenado a trabalhos forçados na Sibéria. Pouco depois, a sua mãe morreu de tuberculose no exílio, e quatro anos depois também o seu pai, apesar de ter sido autorizado a voltar a Cracóvia. Destas traumáticas experiências de infância durante a ocupação russa é possível que Conrad derivasse temas contra o colonialismo como no romance Heart of Darkness (Coração das trevas). A sua última obra publicada em vida foi The Rover (1923), que conta a história de Jean Peyrol, um mestre-artilheiro que, após deixar o serviço da marinha revolucionária francesa, decide se retirar para uma fazenda na península de Giens.
Conrad foi colocado sob os cuidados de seu tio, uma figura mais cautelosa do que qualquer um de seus pais e que, não obstante, permitiu que ele viajasse para Marselha e começasse sua carreira como marinheiro, aos 17 anos. Em 1878, depois de uma fracassada tentativa de suicídio, passou a servir num barco britânico, visando evitar o serviço militar russo. Aos 21 anos, já tinha aprendido inglês, língua que mais tarde dominaria com excelência. Conseguiu, depois de várias tentativas, passar no exame de capitão de barco e, em 1884, conseguiu a nacionalidade britânica. Pôs pela primeira vez o pé em Inglaterra no porto de Lowestoft, Suffolk, Viveu em Londres e, posteriormente, perto de Cantuária, Kent.
O filósofo Bertrand Russell, que veio a conhecê-lo depois da sua chegada a Inglaterra, tinha verdadeiro fascínio pela sua obra, em especial, pela obra Coração das trevas. O grau de amizade era tal que um dos filhos de Russell chamou-se Conrad.