Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
(Desenhos-Escritos) Poema-Rio
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Este livro são dois, e foram compostos simultaneamente, com as mesmas duas mãos. Na primeira parte, o leitor e a leitora encontrarão a reprodução fiel de um livro de artista visual, realizado entre 2015 e 2017. Todo escrito e desenhado artesanalmente, o volume, com um total de doze folhas, foi elaborado em papel Canson no formato A3, a nanquim de cor preta. Os grafismos são obviamente abstratos, e a escrita cursiva transcreve um texto originalmente escrito num editor eletrônico, cujo título é o mesmo que recobre todo este volume: Linha a linha (desenhos escritos). Este trabalho foi realizado com inspiração nas gravuras medievais, em que figura e escrita se colocam no mesmo patamar, sem se reduzirem a ilustrações (no caso das imagens) nem a legendas (no caso dos textos); difere, contudo, daquelas produções livrescas antigas por não ser dotado de cores nem de figurações. Na segunda parte, vem o texto propriamente dito. Ou seja, o poema em prosa Linha a linha, que foi se escrevendo e sendo transcrito para o livro de artista gráfico. Não há precedência de uma parte sobre a outra: texto digital e livro de artista gráfico foram concebidos de forma simultânea: quando esboçava uma maquete da página a ser desenhada, de imediato o texto no computador fluía, de modo que muitas vezes passei do teclado à caneta e ao papel, voltando em seguida à escrita digital, num vai e vem contínuo. Impresso, o trabalho como um todo são esses dois livros, que se miram e se espelham como a imagem diferida um do outro. Cabe a quem abrir essas páginas recompor a unidade imaginária do Livro, livremente inspirado no projeto inacabado de Stéphane Mallarmé. Mas, indago, não seria toda obra de fato inacabada, na medida em que, como queriam Marcel Duchamp e Hélio Oiticica, quem a completa é sempre o leitor ou o espectador, transformado em participador? Para que isso efetivamente ocorra, é preciso que todo fruidor assuma também o seu natural papel de artista… Este projeto se deu por influxos e estímulo da grande artista plástica Suzana Queiroga. Evando Nascimento, Rio de Janeiro, Outono de 2022.
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