Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
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“Um soco”, já disse o crítico Leo Gilson Ribeiro sobre o vigor estilístico de Leão de chácara, comparando seu autor a Céline e Jean Genet, escritores que viveram no universo dos marginalizados e o transformaram em literatura. Publicado em 1975, é o segundo livro de João Antônio (1937-1996). Entre Malagueta, Perus e Bacanaço e este, o golpe de 1964 e a mudança do escritor para o Rio de Janeiro. Talvez por isso, nos três primeiros contos, ambientados na capital carioca, o estilo é mais incisivo, as gírias multiplicam-se e o enredo carrega mais violência. Com o mesmo espírito, e de forma ainda mais intensa, no famoso conto “Paulinho Perna Torta”, que fecha o volume, o próprio personagem narra sua trajetória, de engraxate a rei da Boca do Lixo paulistana.
João Antônio Ferreira Filho nasceu em São Paulo, em 1937. De família humilde, estuda no Externato Henrique Dias, na Pompeia, e no Colégio Campos Salles, na Lapa, e em 1952 publica seus primeiros textos no jornal infantojuvenil O Crisol. Na adolescência, trabalha no comércio durante o dia e estuda à noite. Em fevereiro de 1954 publica seu primeiro conto, “Um preso”, no jornal O Tempo. Em 1963 lança seu livro de estreia, Malagueta, Perus e Bacanaço, que ganha os prêmios Fábio Prado e Jabuti, este em duas categorias, Revelação de Autor e Melhor Livro de Contos. Em 1964 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha no Jornal do Brasil. Casa-se com Marília Mendonça Andrade em 1965, e em 1967 nasce seu filho, Daniel Pedro. Após trabalhar na revista Realidade, em São Paulo, em 1968, volta ao Rio de Janeiro para trabalhar na Manchete, em O Globo, no Diário de Notícias, e colabora com o Pasquim. Em 1975 publica os contos de Leão de chácara, vencedor do Prêmio APCA, e o livro Malhação do Judas Carioca, com reportagens e perfis. Dedo-duro, seu terceiro livro de contos, sai em 1982, e no ano seguinte ganha os prêmios Candango, da Fundação Cultural do Distrito Federal, e Pen Clube. Em 1985, com vários de seus contos traduzidos para outras línguas, viaja pela Europa dando conferências. No ano seguinte, sai seu quarto livro de contos, Abraçado ao meu rancor, que ganha os prêmios Golfinho de Ouro (Rio de Janeiro), Pedro Nava (São Paulo) e Oswald de Andrade (Porto Alegre). Em 1987 passa um ano na então Berlim Ocidental com uma bolsa para escritores. Em janeiro de 1993 inicia sua colaboração para a Tribuna da Imprensa. Falece em 1996, em seu apartamento em Copacabana.
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