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Neste clássico do jornalismo literário publicado na revista The New Yorker em 1966, o repórter estadunidense John McPhee nos inunda em inventividade e estilo ao se debruçar sobre uma das frutas mais presentes do nosso cotidiano: a laranja. Pela primeira vez publicado no Brasil, em tradução de Marilene Felinto, este ensaio mostra que, nas mãos de um escritor atento e curioso, o assunto mais trivial pode se transformar em uma investigação divertida e refinada. Numa mistura de curiosidades botânicas, anedotas históricas e relatos de pequenos e grandes produtores, o autor nos guia em uma viagem de redescoberta dos cítricos, apresentando o trajeto de migração das frutas desde o Oriente, a profusão de variedades ao redor do mundo, as particularidades do plantio e o percurso até se tornarem produtos de grande impacto econômico na indústria moderna. Entre voos sobre vastas plantações e caminhadas em meio a laranjeiras da Flórida, McPhee entrevista pessoas que vivem em função das laranjas. São pesquisadores que se dedicam à cor, ao sabor, aos males e ao cultivo das frutas; colhedores que enchem dezenas de cestas por dia; e proprietários de terra cuja maior preocupação está em evitar que seus pomares sejam acometidos por uma doença altamente destrutiva, a tristeza dos citros. Com eles, aprendemos por que algumas laranjas são verdes ou como é possível que uma laranja brote de um pé de limão, e mais uma série deliciosa de fatos escondidos bem na nossa fruteira. Descobrimos ainda que os pomos de ouro roubados por Hércules eram laranjas, e que elas marcam presença nas tapeçarias em Versalhes e até na mesa da Última Ceia em diversas pinturas renascentistas. Ao descascarmos esse universo, não só começamos a enxergar o que antes estava invisível, como também nos lembramos de laranjas em vários âmbitos da nossa cultura, desde a rua das Laranjeiras onde morou Machado de Assis ao pé de laranja-lima do clássico brasileiro de José Mauro de Vasconcelos. Laranjas é, assim, uma narrativa cativante que transborda em liberdade criativa, comprovando que as melhores histórias estão guardadas nos lugares mais inesperados.
John McPhee nasceu em 1931, em Princeton, Nova Jersey, nos Estados Unidos. Iniciou a carreira de escritor na revista Time, mas foi como redator da New Yorker que consolidou uma das trajetórias mais prolíficas do jornalismo estadunidense. Além de Laranjas (Fósforo, 2026), é autor de mais de trinta livros, entre eles: Tabula Rasa, v. 1, The Patch, Coming Into the Country, Encounters with the Archdruid, The Control of Nature, Looking for a Ship, The Ransom of Russian Art e Annals of the Former World, pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer em 1999.
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