Como acompanhar a leitura dos alunos sem aplicar prova
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Sobre Amar os Livros Que Não Lemos
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Um leitor não é formado apenas pelos livros que leu. Ele também é feito de espaços vazios, de lacunas. A biblioteca dos livros que não lemos é infinita. Mas ela tem a grande vantagem de ser portátil: podemos carregá-la para todo canto, ela não pesa nada. Já as leituras que fizemos estão sujeitas à lei da gravidade: ficam arquivadas nas estantes poeirentas da nossa casa, ou nas prateleiras muito gastas da memória. Se não for assim, elas voltam ao vazio, se tornam lacunas outra vez. As lacunas são como espelhos que refletem as deserções e os caprichos de um leitor. Mas elas também são a imagem de uma utopia, ou a materialização de um desejo: em algum momento do futuro teremos lido tudo o que ambicionamos — os livros que acreditamos que poderemos amar um dia, ou que amamos antes mesmo de passar os olhos por eles. “Lacunas: sobre amar os livros que não lemos” é uma reunião de ensaios que tratam das relações entre literatura e vida. Ou de como a vida — esse emaranhado sem sentido, esse nó que ninguém consegue desatar — só pode ganhar forma a partir das leituras: tanto as que fizemos e grudaram na gente, como as que jamais vamos fazer, e justo por isso não correm o risco de se apagar algum dia.
Felipe Charbel é escritor, ensaísta, professor de teoria da história na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do CNPq. Publicou os romances Saia da frente do meu sol (Autêntica Contemporânea, 2023) e Janelas irreais – um diário de releituras (Relicário Edições, 2018), traduzidos para o espanhol na Argentina e no Chile. Também é autor dos livros de ensaios Dia após dia após dia – ler e escrever diários (Papéis Selvagens, 2025) e Timoneiros: retórica, prudência e história em Maquiavel e Guicciardini (Editora da Unicamp, 2010), além da plaquete Exercício para melhorar o meu diário (Mapalab, 2025). Publicou em revistas como piauí, serrote, Quatro cinco um e Morel, e foi um dos organizadores das coletâneas de ensaios Experimento aberto: invenções no ensaio e na crítica (Relicário Edições, 2021), Leituras do contemporâneo: literatura e crítica no Brasil e na Argentina (Relicário Edições, 2021) e As formas do romance: estudos sobre a historicidade da literatura (Ponteio, 2016).
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