Como montar um clube de leitura presencial que funciona de verdade
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O volume KAWABATA-MISHIMA CORRESPONDÊNCIA (1945-1970) reúne as cartas trocadas entre os dois, desde que Mishima (que ainda assinava com o nome de batismo Kimitake Hiraoka) se aproxima pela primeira vez do “mestre” Kawabata, já uma figura influente do meio literário japonês. O leitor segue então o diálogo que vai se desenrolando: a partir de assuntos cotidianos, comentários sobre a cultura japonesa, reflexões artísticas e muitos pedidos de Mishima para que Kawabata “não deixe de cuidar de sua saúde”, a tímida admiração mútua se torna uma amizade franca e intensa. As mensagens permitem acompanhar os acontecimentos históricos – como a ocupação americana do Japão após a Segunda Guerra ou a Olimpíada de 1964 em Tóquio – bem como a ascensão dos dois ao patamar de estrelas globais. Aos poucos, quando ambos percebem suas iguais chances de entrar para a história como o primeiro autor japonês a ganhar o Nobel, o carinho se transforma em rivalidade e competição. O desfecho é conhecido: Kawabata leva o prêmio, com a ajuda de uma carta de Mishima, que nunca perdoou ao mestre pela conquista e nem a si mesmo pela abnegação. Mishima termina sua tetralogia, a obra de sua vida, e parte, em 1970, para realizar, fora da literatura, suas “ambições fatalistas”. Kawabata produz cada vez menos até sua morte em 1972. Deixando de lado a deferência e abrindo as cortinas da intimidade de dois gênios artísticos, KAWABATA-MISHIMA CORRESPONDÊNCIA (1945-1970) é uma oportunidade de conhecer, por meio de uma longa relação intelectual e afetiva, o lado humano de dois dos ícones máximos da literatura japonesa: as afinidades que se revelam apesar de tantas diferenças, o genuíno fascínio que nutriam um pelo outro, o brilhantismo que emergia de suas penas nos assuntos mais corriqueiros, o projeto comum de pensar e criar a beleza, o refúgio na arte e na amizade como forma de navegar a tristeza intrínseca à condição humana.
YUKIO MISHIMA, nascido Kimitake Hiraoka em Tóquio, em 1925, foi uma das mais populares personalidades das artes no Japão do século XX. Mishima foi romancista, poeta, crítico, ensaísta, dramaturgo e ator. Sua estreia na literatura se deu aos 19 anos, pouco antes de se graduar em direito na Universidade Imperial de Tóquio. Um pouco depois, com Confissões de uma máscara (1949) e Cores proibidas (1951), firmou-se como o grande talento artístico de sua geração. Mesclando influências ocidentais e orientais, explorando tabus temáticos, como a homossexualidade e o culto ao corpo masculino, e produzindo obsessivamente, a arte era, para Mishima, indissociável de suas ações. Cada vez mais crítico da ocidentalização do país no pós-guerra, levou seu nacionalismo ao extremo em 1970. À frente de seu grupo paramilitar Tatenokai, invadiu um quartel do exército japonês em Tóquio buscando incitar um golpe de Estado que devolveria os poderes divinos ao Imperador. Sem obter a acolhida esperada, terminou seu discurso e cometeu seppuku, o tradicional suicídio ritualístico samurai, deixando perplexos seus milhões de leitores no Japão e no mundo.
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