Os melhores livros de negócios para empreendedores e líderes
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No final da década de 1950, Augusto Boal e seus companheiros do Teatro de Arena revolucionaram — na encenação, no repertório, na atuação, nos figurinos, na relação com o público — o que se entendia por arte teatral no Brasil. Um dos pontos básicos desse novo modo de encenação era tornar o espectador parte ativa do que acontecia no palco. Com intenção abertamente política, em consonância com as promessas democratizantes do desenvolvimentismo barradas pelo golpe de 1964, foi a origem do que Boal chamou mais tarde de espect-ator : “todo mundo atua, age, interpreta. Somos todos atores. Até os atores!”. Em 1971, após ser preso e torturado, o teatrólogo parte para um longo exílio, percorrendo o mundo e difundindo suas ideias nas mais variadas situações, inclusive entre pessoas comuns, em lugares comuns como ruas e praças. A suma de todas essas experiências está nas dezenas de exercícios teatrais deste Jogos para atores e não atores . Muito além das fronteiras do teatro profissional, este repertório de técnicas é utilizado hoje em atividades como a psicoterapia, a educação e a formação política. Até 2008, Jogos para atores e não atores foi constantemente atualizado e, em 2013, a edição alemã incorporou todos os acréscimos feitos por Boal para outras versões europeias, estabelecendo um texto final, aqui adotado. O presente volume inclui textos inéditos em português reunidos em apêndice, constituindo a versão mais completa entre as que circulam atualmente em diversas línguas.
Augusto Boal nasceu em 1931, no Rio de Janeiro. Formou-se em engenharia química pela UFRJ, e em 1952 viaja para os Estados Unidos para estudar na Escola de Arte Dramática da Universidade Columbia, onde frequenta os cursos de John Gassner. De volta ao Brasil, em 1956, passa a integrar o Teatro de Arena, formado por Boal, José Renato, Giafrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, grupo que promove uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros, com peças como Eles não usam black-tie (1958) e Arena conta Zumbi (1965). Na esteira do golpe militar de 1964, Boal é preso e torturado em 1971. Exila-se na Argentina com Cecilia Thumim, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido, lançado em 1974. Muda-se para Portugal em 1976, e dois anos depois se estabelece na França, onde passa a atuar e criar vários núcleos baseados em sua obra. Publica a primeira edição de Jogos para atores e não atores em Paris, ainda em 1978. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992, é eleito vereador pelo Partido dos Trabalhadores e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo. Lança em 2000 um livro de memórias, Hamlet e o filho do padeiro, e em 2009 a Unesco lhe confere o título de “Embaixador do Teatro Mundial”. Faleceu em 2009, no Rio de Janeiro.
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