Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
A literatura africana vive um momento extraordinário. De Chimamanda a Mia Couto, autores do continente estão entre os mais premiados e relevantes da atualidade.
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"""Aqui neste convés, o nosso colega Marcelino recebeu 250 chibatadas. Haja o que houver, meus camaradas, isso não acontecerá novamente. Vamos fazer agora um juramento. Cada um para o seu deus, cada um para o seu orixá. Custe o que custar, Marcelino Rodrigues Menezes será o último marinheiro chicoteado em um navio brasileiro.” Esta narrativa emocionante reconstrói a história de João Cândido, o “almirante negro”. Filho de escravizados e exímio navegador, ele foi o líder da Revolta da Chibata – levante ocorrido no Rio de Janeiro em 1910, reunindo marinheiros brasileiros que se recusavam a aceitar a injustiça dos castigos corporais e a opressão ditada pela cor de suas peles. Rio de Janeiro, 1910. O Brasil acaba de modernizar sua esquadra. É agora um dos três países do mundo a ter embarcações do tipo encouraçado – poderosos navios de guerra, considerados fortalezas flutuantes. Mas, a bordo, os praças (a maioria afro-brasileiros e mestiços) são submetidos por oficiais (a maioria brancos) ao castigo da chibatada, resquício da escravidão. Após mais um companheiro ser pública e cruelmente supliciado no convés, João Cândido Felisberto, filho de escravizados e militar da Marinha, lidera a Revolta da Chibata. Durante cinco dias, mais de dois mil marinheiros revoltosos se apossam de dois encouraçados e outros navios de guerra, e mantêm a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, sob a mira dos canhões. Eles reivindicam a abolição das degradantes punições físicas nos navios da Marinha. O romance revisita este episódio emblemático da nossa história e reconstrói de forma impecável os tempos da República Velha. Apresenta João Cândido como"
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