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Publicado em 2017 na França, Irmãos migrantes é um ensaio e manifesto poético-político no qual Patrick Chamoiseau evoca, de forma impactante, o drama recente — e muito atual — dos refugiados na Europa. Assim fazendo, solidariza-se com cada vida que compõe uma das maiores catástrofes de nosso tempo: as migrações forçadas. O livro, dividido em dezoito breves capítulos escritos num estilo de ensaio livre, constitui um hino à hospitalidade e à tolerância, contra o embrutecimento do mundo. Com força lírica, nesse manifesto-ensaio a literatura se faz voz e grito, suscita outros “possíveis”, intui novos caminhos. É por meio da imaginação e da criatividade da linguagem que o autor reage à dimensão trágica dos acontecimentos. Valendo-se da poética relacional de Édouard Glissant, que também é a sua, o autor nos coloca diante dos fatos e da humanidade fragilizada de quem os vive, conclamando os leitores a também reagirem, a se implicarem e tomarem parte em um drama que diz respeito a todos os habitantes do planeta. Patrick Chamoiseau nasceu em 1953 em Fort-de-France, na Martinica. É autor de vários romances, contos e ensaios, e em 1992 ganhou o Prix Goncourt por seu romance Texaco . Hoje ele é uma das vozes mais influentes da literatura caribenha, com uma obra que se inscreve no cruzamento do francês e do crioulo.
Patrick Chamoiseau, nascido em 1953 em Fort-de-France, Martinica, é uma das vozes mais importantes da literatura caribenha. Graduado em Direito e Economia, exerceu a função de educador social na França e depois na Martinica. Interessado por etnografia, ele se debruça sobre a formas culturais em vias de desaparecimento de sua ilha natal, mas também sobre o dinamismo de sua língua materna, o crioulo. Em 1986, publica seu primeiro romance, Chronique des sept misères, vencedor dos prêmios Loys Masson e Kléber-Haedens, e dois anos depois, Solibo Magnifique. Em 1989, juntamente com Jean Bernabé e Raphaël Confiant, escreve o influente manifesto Éloge de la créolité, inspirado nas teorias da negritude de Sédar Senghor e Aimé Césaire, em que reivindica uma identidade caribenha pautada na mestiçagem cultural. Desde então, assinou diversos ensaios, notadamente Lettres créoles (1999), com Raphaël Confiant, e L’intraitable beauté du monde (2009), com Édouard Glissant. Em 1992 recebe o prestigioso prêmio Goncourt pelo romance Texaco, nome de um bairro negro em Fort-de-France. Mais recentemente lançou Contes des sages créoles (2018), os ensaios de Le conteur, la nuit et le panier (2021), o manifesto poético Frères migrants (2017) e o atualíssimo Que peut Littérature quand elle ne peut? (2025), em que faz uma aposta no poder da literatura em acolher a alteridade e construir relações num mundo cada vez mais polarizado e opressor.
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