Como ler mais rápido sem perder a compreensão do texto
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Saudada como um acontecimento radicalmente novo no ano de sua publicação, em 1927, a novela Inveja, do escritor russo Iuri Oliécha (1899-1960), recebeu novas e complexas leituras ao longo do tempo. A trama vertiginosa que beira o nonsense, a ambiguidade psicológica dos personagens, a exaltação de sentimentos contraditórios (da arrogância à auto-humilhação, do amor à inveja desvairada), aliados a uma imaginação desenfreada e um domínio completo do tempo e do espaço narrativos, resultaram numa obra de grandeza ímpar, que contrapõe um jovem idealista e sentimental (possível alter ego do autor) a um poderoso diretor de indústrias do novo regime soviético. Ainda hoje desconcertante sob muitos aspectos, esta tragicomédia anárquica — cujo ritmo e intensidade verbal foram recriados com brilho pela tradução de Boris Schnaiderman — só tem paralelo, entre nós, nas invenções mais geniais do contemporâneo Oswald de Andrade.
Boris Schnaiderman, considerado um dos maiores intelectuais e tradutores do russo em nosso país, nasceu em Úman, na Ucrânia, em 1917. Em 1925, aos oito anos de idade, veio com os pais para o Brasil, formando-se depois na Escola Nacional de Agronomia do Rio de Janeiro. Naturalizou-se brasileiro nos anos 1940, tendo se alistado para lutar na Segunda Guerra Mundial como sargento da FEB. Começou a fazer traduções de autores russos em 1944 e a colaborar na imprensa brasileira a partir de 1957, tendo publicado desde então diversos livros sobre cultura e literatura, além de versões para obras de Púchkin, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov, Górki, Maiakóvski e outros. Mesmo sem ter estudado formalmente Letras, foi escolhido para iniciar o curso de Língua e Literatura Russa da Universidade de São Paulo em 1960, instituição onde permaneceu até sua aposentadoria, em 1979, e pela qual recebeu o título de Professor Emérito em 2001. Ganhou em 2003 o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras, e em 2007 foi agraciado pelo governo da Rússia com a Medalha Púchkin, em reconhecimento por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior. Faleceu em São Paulo em 2016, aos 99 anos de idade.
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