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Um dos maiores estudiosos da obra de Karl Marx no mundo, Michael Heinrich traz em Introdução a O capital de Karl Marx uma rigorosa aproximação aos três livros de O capital. O autor compreende a crítica da economia política como o núcleo da intervenção teórica de Marx. Pela leitura de Heinrich, Marx não é idealizado, mas tratado como um crítico da socialização mediada pelo valor. A introdução de Heinrich não para, como comumente se vê, nos primeiros capítulos de O capital, sobre a produção de mercadoria, ou mesmo ao fim do Livro I. Ele nos permite acessar plenamente a teoria do valor e chegar até suas formas monetárias mais desdobradas e concretas. Isso torna esta introdução atual e necessária para entender o capitalismo. Sem simplificações baratas, aborda o que há de atual e o que há de obsoleto na obra-prima de Karl Marx. No prefácio à edição brasileira, além de nos instigar a questionar as estruturas capitalistas, em vez de nos limitarmos a criticar seus sintomas sociais, Heinrich alerta para os riscos de abraçarmos uma leitura reducionista da obra: “Os três livros de O capital formam uma unidade; apropriar-se somente do Livro I não é apenas incompleto, mas também pode levar a mal-entendidos [...] as análises de Marx devem ser separadas das simplificações e reducionismos extremos que prevalecem em muitas análises marxistas. Tendo isso em vista, esta introdução tem o objetivo de auxiliar a compreensão de O capital, mas não pode substituir a leitura da crítica da economia política pelo próprio leitor”, escreve. Trecho “Como o subtítulo de O capital deixa claro, Marx não buscava oferecer uma ‘economia política’ alternativa, mas sim uma ‘crítica da economia política’. É certo que abordagens científicas inovadoras procuram legitimar-se por meio de críticas às teorias anteriores. Marx, porém, buscava ir além. Seu objetivo não era apenas criticar certas teorias (o que ele também faz em O capital), mas compreender a economia política em sua totalidade: a crítica marxiana mira os pressupostos categoriais de toda uma ciência. […] Marx não se limita a criticar os resultados da economia política: ele critica também o modo como as perguntas são formuladas, isto é, a diferença entre o que a economia política pretende explicar e aquilo que ela aceita como algo tão evidente que não necessita de explicação (por exemplo, a forma-mercadoria dos produtos do trabalho).”
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