Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Gustavo Goulart colocou de "Interregnum", o título de seu livro, o que significa espaço de tempo que separa dois eventos, que pode ser o terrestre e o divino, o que aconteceu e o que acontecerá. O interregnum, em Gustavo, é a separação do que é da infância, e o que é dos costumes e rituais familiares, ou as coisas em sua substância infatigável, bens e heranças, deveres e seres, hábitos do passado de Minas, com o sopro do cotidiano e certa visão anarquista da realidade, para não dizer belicosa, com forte teor telúrico nos termos ou na paisagem, onde vige o silêncio fantasmal das casas. Diferente e mais atado à tradição de Minas, que poetas como Anderson Freitas, Edimilson de Almeida, Fernando Fiorese, Júlio Polidoro (seus antecessores mais próximos) e outros, Gustavo toma outra e maior medida literária, aproximando-se de Carlos Drummond de "Boitempo", homem antigo, que trabalha esse matéria ancestral, com linguagem própria, conquistada, às vezes, com imagens concretas e simples ou modestas, cumulando símbolos, com a segurança de quem entende o mundo em que vive e tenta exprimi-lo, com amor de infância que jamais termina. Carlos Nejar, poeta Da ABL (Academia Brasileira de Letras) Rio de Janeiro, setembro de 2020
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