Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Instruções para se tornar um fascista é um livro urgente, que nasce para despertar consciências, para nos provocar e nos chamar a atenção. Mas que também serve como espelho, no qual podemos encarar diretamente os lados mais sombrios que vivem em cada um de nós. Sob a falsa aparência de um manual, a obra reflete sobre o surgimento de movimentos neofascistas, investigando por que as pessoas se sentem cada vez mais atraídas por esses movimentos e fazendo um alerta poderoso: não querer reconhecer que eles «já estão aqui», ou a importância que têm, já não é uma opção. Por vezes, subestimamos e chegamos a ridicularizar o eleitor desses partidos sem entender ou estudar suas motivações; outras vezes, somos tomados de um medo genuíno de recebermos o rótulo de antidemocráticos por não tolerarmos opiniões diferentes. A autora se move com grande talento entre a ironia e a provocação. Além das instruções para realizar a suposta “conversão” de um indivíduo em um fascista, descritas no texto de forma muito bem-sucedida, Michela Murgia propõe um exercício divertido ao final do livro: o fascistômetro, uma lista de afirmações que desafia aqueles que acreditam que o fascista é sempre o outro. Qual o grau de fascismo existente em nossa sociedade, em nosso ambiente e em nós mesmos?
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