Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Inquietude é um livro que aborda conceitos filosóficos, transformações nas relações de trabalho e na vida, explorando teorias filosóficas e sociológicas, obras literárias e poéticas, arte musical e cinematográfica, buscando compreender a inquietude, a apatia, as revoltas, a autoexploração e a exaustão psíquica, disfarçada de realização pessoal, na sociedade do cansaço. O livro investiga as raízes de nosso esgotamento coletivo. Por que em um contexto de tanta conectividade há tanta solidão, apatia, indiferença e individualismo? Como a pressão patronal ou autoimposta por um consumismo atroz, nos lança em um ciclo de depressão e ansiedade? Entre a paralisia da apatia e a faísca da revolta, esta obra expõe as contradições de um tempo que nos adoece e questiona: ainda há espaço para a insubordinação em meio a tanto cansaço? Uma leitura essencial para compreender os dilemas do presente. *** A inquietude é uma força intrínseca que nos impede de permanecer inertes. Sabe aquela agonia que não nos deixa ficar de boca fechada quando vemos injustiças, genocídios, guerras e exploração? Pois é, quando sentimos isso, acham que somos estressados. A inquietude carrega consigo o estresse apenas quando ficamos indiferentes, fazendo de conta que nada temos a ver com a situação. O alienado e o sujeito blasé escondem sua inquietude, mas, segundo Sartre, ela é parte inerente à condição humana. Há quem confunda isso com ser instável, uma pessoa que não para em emprego, que vive pulando de galho em galho. Mas não é isso. Ser inquieto é estar vivo! É não aceitar as coisas como elas são só porque sempre foram assim. Na verdade, a inquietude nos empurra para frente. (…) O inquieto não aceita a mediocridade, não aceita a injustiça. Ele é como uma locomotiva que, com a pressão do vapor, faz as rodas girarem e puxa os vagões que estavam parados. Nós podemos ficar no vagão, esperando, ou podemos ser a locomotiva. A escolha é nossa. E, para quem tem essa coceira na alma, a escolha já foi feita: nós vamos para a luta. (Trechos da Introdução)
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