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Em seu romance de estreia, a escritora sergipana Camilla Canuto, questiona o papel da mulher ao mesmo tempo que narra a rotina de uma família marcada pela incomunicabilidade. Assim é, ao menos, para Adelaide, uma mulher cotidianamente cerceada pelo marido e incompreendida pela filha, e uma das personagens centrais do livro Há uma lápide com o seu nome . Neste romance conciso e arrebatador, acompanhamos o desenrolar do dia a dia de uma família – notando os excessos e faltas do pai, a amargura da mãe, o ressentimento da filha. É neste farfalhar das cortinas da intimidade que a sergipana Camilla Canuto lança seu livro de estreia, Canuto costura uma história delicada, comovente e repleta de episódios que povoam as realidades familiares, sem retratá-las como lugares-comuns. Assim é, ao menos, para Adelaide, uma mulher cotidianamente cerceada pelo marido e incompreendida pela filha, e uma das personagens centrais do livro Há uma lápide com o seu nome. Canuto, costura uma história delicada, comovente e repleta de episódios que povoam as realidades familiares, sem retratá-las como lugares-comuns. E, já no início da obra, compreendemos o acontecimento que junta o destino desses três personagens: uma gravidez indesejada. Antes de completar quinze anos de idade, Adelaide revela a João que está à espera de um filho seu; já nas primeiras linhas do romance, damo-nos conta de que João não deseja que a criança venha ao mundo, mas, a despeito de tudo, nasce Alice. Cresce em meio a uma configuração familiar em que impera não o amor, mas sim a negação das singularidades da mãe, as ausências e exigências do pai, um sujeito violento, e as mágoas próprias de Alice, causadas pela sensação de não ser apreciada pela mãe. De sua parte, Adelaide não raro expõe o vazio da própria existência – apesar de, ainda assim, preparar todos os dias a comida do marido, passar suas roupas, manter a limpeza da casa e efetuar as mais variadas tarefas domésticas. Sentindo-se culpada pela infelicidade da mãe, Alice vai se tornando cada vez mais ressentida, calada e alheia, parecendo encontrar apenas no companheiro, Júlio César, afeto e alegria. Em uma narrativa emocionante e permeada de pequenos segredos, Canuto constrói uma obra que perpassa passagens marcantes da vida dos personagens que conduzem o livro, dando ênfase à solidão de Adelaide, sua desumanização e descontentamento.
Camilla Canuto é uma escritora sergipana nascida em maio de 1995. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Sergipe, atuou por alguns anos no mercado jurídico antes de ingressar na Literatura, disciplina que estuda atualmente na Pós-Graduação da Mackenzie. Há uma lápide com o seu nome é o seu livro de estreia.
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